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CGTP recusa "fazer da Segurança Social um sistema privado"

"Estamos à espera de ver com bastante atenção o relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social", disse o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira.

13 de julho de 2026 às 20:17

O secretário-geral da CGTP afirmou esta segunda-feira que estará atento às conclusões do relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social, garantindo estar disponível para discutir novas formas de financiamento, mas recusa "fazer da Segurança Social um sistema privado".

"Estamos à espera de ver com bastante atenção o relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social", afirmou o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em conferência de imprensa após a reunião da Comissão Executiva do Conselho Nacional da central sindical.

O Governo já recebeu o relatório final do grupo de trabalho liderado pelo economista Jorge Bravo sobre a sustentabilidade da Segurança Social, adiantou esta segunda-feira à Lusa fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Segundo a tutela, "o relatório foi apresentado à ministra na sexta-feira" e está agora a ser alvo de acertos de edição.

Apesar de salientar que o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) voltou a atingir um novo recorde no ano passado, o líder da central sindical diz-se disponível para discutir novas formas de financiamento complementares.

"A CGTP continua a entender que é preciso criar outro tipo de financiamento complementar àqueles que já hoje existem, mas sempre no sentido do reforço da Segurança Social e não ao contrário [...] que é desvalorizar a Segurança Social", indicou Tiago Oliveira.

Questionado sobre se esse poderá ser um dos temas a ser abordado na reunião da Comissão Permanente de Concertação Social de quarta-feira, o líder da CGTP disse não saber, mas reiterou a disponibilidade para discutir "novas formas complementares para garantir a sustentabilidade da Segurança Social", lembrando que a central sindical "tem propostas para isso".

"Aquilo que não aceitamos e não vamos aceitar é que se procure colocar a Segurança Social sempre com a ideia de colocar em causa a sua sustentabilidade para depois [...] levar por diante aquilo que é um objetivo político, de fazer da Segurança Social um sistema privado", avisou.

O secretário-geral da CGTP teceu ainda críticas à escolha do economista Jorge Bravo para liderar o grupo de trabalho responsável por elaborar o relatório, sublinhando que "é uma pessoa profundamente ligada aos fundos privados de pensões" e esperando que não esteja em causa um "ataque à Segurança Social".

Na conferência de imprensa, Tiago Oliveira voltou a realçar a luta dos trabalhadores que "com a sua força, mobilização e entrega derrotaram o pacote laboral e voltou a insistir num rumo "diferente" para o país.

"A situação atual que o país atravessa exige medidas profundas no que diz respeito a essa elevação das condições de vida, nomeadamente com a exigência do aumento intercalar dos salários para todos os trabalhadores", afirmou, insistindo ainda "ruptura com uma política de precarização das relações de trabalho ".

No seu caderno reivindicativo para 2026, a CGTP exigia um aumento salarial de pelo menos 15%, num mínimo de 150 euros para todos os trabalhadores e a fixação do salário mínimo nacional em 1.050 euros.

Questionado sobre se considera necessário uma revisão do acordo tripartido, nomeadamente ao nível das metas do salário mínimo nacional e dos referenciais para o aumento global dos salários (discutidos em negociação coletiva), Tiago Oliveira lembrou que a CGTP ficou fora do acordo por considerar que ficou "muito longe" do que é necessário, mas sinalizou "a necessidade do aumento dos salários", indicando que valores concretos serão apresentados em setembro aquando da apresentação do caderno reivindicativo para 2027.

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