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Cidadão deve responsabilizar-se pela gestão da sua própria saúde, defende CEO da Lusíadas Saúde

Vasco Antunes Pereira considera que se deve focar na prevenção em vez da cura, processo no qual a inteligência artificial pode ajudar.

05 de julho de 2026 às 11:01

O presidente da Lusíadas Saúde defende que com recursos escassos no setor se deve apostar na responsabilização dos cidadãos na gestão da própria saúde, focando na prevenção em vez da cura, processo no qual a inteligência artificial pode ajudar.

Em entrevista à Lusa, Vasco Antunes Pereira considerou que a saúde tem uma característica "muito curativa", olhando-se para indicadores como consultas, cirurgias, episódios de urgência, "quando na realidade isto é doença".

Para o responsável, o que é necessário é passar a discutir a "prevenção de longevidade e da responsabilidade que o cidadão individual tem que ter na gestão da sua própria saúde".

"Na Lusíadas saúde, temos os centros de saúde integrada. Um centro de saúde altamente personalizado [...] de diagnóstico precoce. Portanto, aquilo que queremos é que as pessoas se responsabilizem, acedam aos cuidados de saúde, enquanto ainda não estão a tratar uma doença, enquanto estão claramente numa situação de saúde e que possam, de forma muito preventiva, começar a trabalhar a sua saúde para que acrescentem anos de vida" mas bem.

O presidente executivo (CEO) da Lusíadas Saúde considerou que Portugal deve repensar a estrutura do sistema de saúde para "poder fazer face aos desafios, quer seja de recursos humanos, quer de longevidade, em que vamos viver vidas mais longas", pelo que o "paradigma da saúde tem que se adequar aos tempos de hoje".

Para responder a uma população que vive durante mais tempo e precisa de mais cuidados de saúde, com as dificuldades de recursos humanos que existem, será preciso utilizar a tecnologia, defendeu.

"A tecnologia está a aparecer num momento absolutamente crítico para os sistemas de saúde", que "estão todos em pressão", com o envelhecimento da população, sendo necessário "garantir que a pessoa entre no sistema pela porta correta".

Essa porta é uma consulta de medicina geral e familiar, em que se olha "holisticamente para a pessoa", considerou, defendendo que se houver uma triagem correta "os profissionais que existem, que são escassos, vão apenas tratar daquilo que é efetivamente necessário ser tratado por eles".

Além dessa triagem pela medicina geral e familiar, existem também formas de utilizar a tecnologia para determinar a necessidade de cada utente.

O responsável salientou um fenómeno que é a queda das urgências a nível mundial, apontando que se tem "assistido a uma quebra de dois dígitos na procura de serviços de urgência no mundo ocidental", que se prende com vários fatores, mas um deles é "o uso das ferramentas de inteligência artificial bastante para esclarecer, para reduzir a ansiedade e para poder muitas vezes direcionar corretamente".

"As pessoas hoje, mediante algum alarme do seu corpo, a primeira coisa que fazem é que questionam as ferramentas de inteligência artificial para ver qual é a primeira resposta que obtém", apontou, e "se a primeira resposta lhes fizer sentido e de facto reduzir aquilo que é o grau de ansiedade e se calhar a expectativa de poder ter ou não uma patologia mais complexa, eventualmente o que acontece é reduzir o número de vindas desnecessárias ao sistema de saúde".

O responsável sublinhou ainda que já "existe um conjunto de equipamentos que já têm inteligência artificial introduzida naquilo que é o seu algoritmo e que conseguem fazer uma triagem a um grau de certeza de quase 100% sobre a necessidade ou não de vir ao sistema de saúde".

Não fazem diagnóstico, mas sim a triagem, ressalvou, permitindo "uma análise de risco e da necessidade da pessoa vir ao sistema de saúde e, neste caso, sobrecarregar correta ou incorretamente o sistema de saúde com mais um doente".

Quanto ao investimento em IA, Vasco Antunes Pereira disse ser difícil autonomizar, já que está integrado em vários equipamentos que têm ferramentas de IA, como por exemplo ressonâncias magnéticas, TAC, bem como em sistemas de 'back-office', a auxiliar processos como a faturação e os 'call center', mas é "um número muitíssimo relevante".

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