Municípios pedem intervenções urgentes para repor a mobilidade.
Várias estradas nacionais nos distritos de Leiria e Lisboa continuam cortadas ao trânsito e os municípios pedem intervenções urgentes para repor a mobilidade, seis meses depois de as tempestades de janeiro e fevereiro terem provocado estragos nas vias.
No concelho de Alcobaça, distrito de Leiria, permanecem cortados o Itinerário Complementar (IC) 9 e a Estrada Nacional (EN) 8-6, segundo informou à agência Lusa o município.
Segundo a Câmara Municipal, já foi solicitada à empresa Infraestruturas de Portugal (IP) uma "intervenção célere, tendo em conta os constrangimentos que esta situação continua a causar à população, às empresas e à mobilidade no concelho".
A IP prevê iniciar as obras na EN8-6 no final de agosto e a intervenção no IC9 em setembro.
Por outro lado, no Bombarral, também no distrito de Leiria, mantém-se cortada a EN8, por abatimento do piso provocado pelo mau tempo.
"A empreitada para a correção da situação identificada na EN8, entre o Bombarral e Torres Vedras, encontra-se em fase de contratação, prevendo-se que os trabalhos tenham início na primeira quinzena de agosto. A intervenção terá um prazo de execução de seis meses", informou a IP à agência Lusa.
Contudo, o município tem vindo a alertar que as obras a decorrer neste prazo vão "perturbar em muito as campanhas da pera rocha e a vindima, em que os produtores utilizam a EN8 como via de comunicação para as fruteiras", sem que haja alternativas que não impliquem um aumento dos tempos e da distância de percurso.
Apesar de não considerar viável a criação de uma via paralela ou a circulação de viaturas durante as obras, nem a isenção temporária de portagens na autoestrada A8, a IP mostrou-se disponível para "minimizar os constrangimentos para os utilizadores da via, em particular para a atividade agrícola" e para trabalhar na monitorização dos percursos alternativos e na avaliação de eventuais medidas adicionais.
A EN8 está também condicionada ao trânsito entre Torres Vedras e Mafra, já no distrito de Lisboa, fazendo-se a circulação de forma alternada.
Segundo a IP, estão a ser efetuadas obras que deverão ficar concluídas "no final de agosto".
Também no distrito de Lisboa, uma derrocada interditou a EN8-2 na Lourinhã, nos dois sentidos.
Ainda de acordo com a IP, "estão em curso os trabalhos de elaboração do projeto que servirá de base à futura empreitada, que contempla a estabilização de duas zonas de deslizamento da plataforma rodoviária", prevendo-se o início da obra para o quarto trimestre deste ano, com "o prazo que resultar do projeto de execução".
Também a EN 115 continua cortada entre Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, e entre o Cadaval (Lisboa) e Caldas da Rainha (Leiria).
No troço Arruda dos Vinhos - Sobral de Monte Agraço, a IP tem previsto três empreitadas a "iniciar no decorrer do mês de agosto/início de setembro".
Entre Caldas da Rainha - Cadaval, a "IP prevê iniciar os trabalhos durante o terceiro trimestre deste ano, estimando que a reposição integral das adequadas condições de qualidade para a circulação neste troço ocorra no decurso do primeiro trimestre de 2027", indicou ainda a empresa.
Há meio ano, vários temporais, com destaque para as depressões Kristin, Leonardo e Marta, atingiram o território continental em três semanas, a partir do final de janeiro, causando pelo menos 19 mortos, mais de metades deles durante trabalhos de recuperação, várias centenas de feridos, desalojados e deslocados, sobretudo em 90 municípios nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
Mais de 35 mil habitações foram afetadas no todo do país, um número superior a um milhão de pessoas ficaram sem eletricidade, meio milhão de clientes sem telecomunicações, mais de 18 mil sinistros ou ocorrências de emergência foram registadas até ao fim da primeira quinzena de fevereiro e foram apresentadas mais de 200 mil participações de sinistros.
Os prejuízos estimados são superiores a 5,3 mil milhões de euros.
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