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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Cinco meses depois, derrocadas na EN2 continuam a preocupar Sardoal

Tempestade Kristin atingiu o concelho em 28 de janeiro, provocando danos em infraestruturas municipais, coletividades, património cultural, instituições particulares de solidariedade social e freguesias.

25 de junho de 2026 às 13:28

O concelho de Sardoal continua a recuperar dos estragos provocados pela tempestade Kristin, cinco meses após a intempérie, mantendo como principal preocupação as derrocadas na antiga Estrada Nacional 2 (EN2), cuja reparação poderá ultrapassar os quatro milhões de euros.

"Não diria que estamos a tentar recuperar, estamos a trabalhar no sentido de resolver pelo menos aqueles prejuízos que conseguimos acudir com os nossos meios e tentar restabelecer a normalidade", disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Sardoal, no distrito de Santarém.

A tempestade Kristin atingiu o concelho em 28 de janeiro, provocando danos em infraestruturas municipais, coletividades, património cultural, instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e freguesias, num prejuízo inicialmente estimado em 4,76 milhões de euros e com um custo de reposição que o município admitiu poder atingir 10,48 milhões de euros.

Cinco meses depois, Pedro Rosa afirmou que a maioria das intervenções mais urgentes foi executada ou está em curso, mas admitiu que a recuperação integral do território será um processo prolongado.

Segundo o autarca, a principal preocupação continua a centrar-se nas duas derrocadas registadas na antiga estrada nacional (EN2) junto a Andreus e entre São Domingos e o Penedo Furado, onde a circulação está encerrada devido ao risco associado.

"Estamos neste momento na fase de projeto. Quando tivermos a orçamentação concreta teremos de perceber como vamos financiar este investimento e bater a outras portas, se for necessário", afirmou, relativamente a dois troços da EN 2 sob tutela do município.

Pedro Rosa admitiu que a reparação daqueles troços poderá representar um investimento muito superior aos prejuízos inicialmente contabilizados, apontando que o custo das obras poderá atingir vários milhões de euros, sendo a comparticipação expectável na ordem dos 50%.

O município recebeu até hoje cerca de 540 mil euros através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, verba que está a ser utilizada para apoiar parte das intervenções em curso.

Contudo, o presidente da câmara disse continuar sem indicações concretas sobre os mecanismos de apoio destinados a associações, juntas de freguesia e entidades ligadas ao património cultural e religioso que também sofreram danos.

"Esperamos perceber de que forma estas instituições poderão ser ajudadas a superar os prejuízos que tiveram", declarou, tendo feito notar que, no entanto, "várias situações já foram resolvidas ou mitigadas".

Segundo o autarca, os caminhos florestais afetados pela queda de árvores encontram-se praticamente desobstruídos, as zonas de lazer mais atingidas recuperaram grande parte da normalidade e os prejuízos registados em edifícios de juntas de freguesia, cemitérios e equipamentos locais estão reparados ou em fase de conclusão.

Na zona de lazer da Lapa, os trabalhos permitiram reabrir o espaço ao público, enquanto na zona da Rosa Mana, na freguesia de Alcaravela, decorrem intervenções para remover detritos acumulados e restabelecer integralmente as condições de utilização.

Apesar destes avanços, subsistem danos em muros de suporte, linhas de água e infraestruturas rodoviárias, que continuam a exigir intervenções faseadas.

O autarca alertou também para problemas persistentes nas redes de telecomunicações, referindo a existência de postes derrubados e troços de cabos ainda por repor.

"Há aqui um problema muito grande nas telecomunicações. É preciso encontrar soluções para evitar que voltem a existir falhas como as que tivemos", sustentou.

Pedro Rosa admitiu que o esforço de recuperação tem obrigado o município a mobilizar recursos financeiros e humanos adicionais, embora sem necessidade, para já, de cancelar iniciativas previstas no plano anual de atividades.

Questionado sobre o horizonte temporal da recuperação, o presidente da câmara foi cauteloso.

"Em algumas dimensões esta recuperação não vai durar um ano nem dois, vai durar muito mais", afirmou.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

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