Município estima prejuízo entre 150 e 200 milhões de euros.
Ferreira do Zêzere continua a recuperar dos efeitos da tempestade Kristin, cinco meses após a intempérie, tendo cancelado eventos, reduzido despesa em cerca de 200 mil euros e avançado com a criação de um fundo municipal de emergência.
"Estamos a trabalhar para normalizar o concelho, mas ainda há muitas situações por resolver e infraestruturas que dependem de apoios e de processos que não estão concluídos", disse esta quarta-feira à Lusa o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém.
A tempestade Kristin atingiu o concelho a 28 de janeiro, provocando danos em habitações, empresas, equipamentos públicos, vias de comunicação, redes elétricas e telecomunicações, num impacto que o município estima atualmente entre 150 e 200 milhões de euros (ME).
Cinco meses depois, Bruno Gomes considera que a resposta imediata às situações mais críticas foi alcançada, mas admite que a recuperação integral do território ainda está longe de concluída.
Segundo o autarca, o município recebeu um adiantamento de cerca de 1,4 ME, mas continua a aguardar a concretização de vários mecanismos de apoio destinados a particulares, associações e juntas de freguesia afetados pela intempérie.
"Temos tido acompanhamento por parte do Estado, mas precisamos agora de maior rapidez na execução das medidas e na disponibilização dos instrumentos necessários para concluir a recuperação", afirmou.
Uma das consequências diretas da tempestade foi a necessidade de rever prioridades orçamentais, levando a autarquia a reduzir em cerca de 200 mil euros as verbas destinadas a iniciativas culturais e desportivas.
Entre as medidas adotadas está o cancelamento do Festival do Fado e de outros eventos municipais, enquanto diversas associações decidiram não realizar este ano iniciativas tradicionais como as Marchas Populares e os Círios.
O município pretende agora canalizar parte dessas verbas para um fundo municipal de emergência destinado a reforçar a capacidade de resposta a futuras situações excecionais.
"Temos de retirar ensinamentos do que aconteceu e criar mecanismos que permitam uma resposta mais rápida e eficaz sempre que o território seja confrontado com fenómenos desta dimensão", sustentou.
Apesar dos avanços registados na recuperação de habitações e equipamentos, persistem problemas em infraestruturas críticas, sobretudo nas áreas das telecomunicações e da energia.
Segundo o autarca, continuam a existir zonas do concelho com falhas ou instabilidade nos serviços de internet e comunicações móveis, situação que considera preocupante para populações e empresas.
"A robustez das redes de telecomunicações e de energia é uma das grandes lições que esta tempestade nos deixa", afirmou.
Bruno Gomes alertou igualmente para os impactos sociais e psicológicos da intempérie, considerando que muitas famílias continuam a lidar com as consequências do que aconteceu.
"A recuperação não é apenas física. Há pessoas que ainda estão a viver os efeitos emocionais de tudo aquilo que passaram", referiu.
O presidente da câmara destacou, contudo, a capacidade de mobilização da comunidade, lembrando o envolvimento de voluntários, empresas, associações e entidades públicas nos trabalhos realizados desde janeiro.
"A solidariedade e a entreajuda foram determinantes para ultrapassar os momentos mais difíceis e continuam a ser fundamentais nesta fase de recuperação", declarou.
Segundo Bruno Gomes, a reposição integral das infraestruturas mais afetadas e a concretização dos investimentos previstos deverão prolongar-se ao longo dos próximos meses, admitindo que parte do processo de recuperação se estenda para além de 2026.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.
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