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Cinemas vão ter um filme por mês com acesso a legendas descritivas e audiodescrição

Espectador tem de descarregar uma aplicação no telemóvel (MovieReading), onde estes recursos estão disponíveis em língua portuguesa.

04 de março de 2026 às 14:31

A plataforma AMPLA inicia esta semana um projeto de disponibilização mensal de legendas descritivas e audiodescrição para pessoas cegas e surdas para um filme nas salas de cinema.

A iniciativa arranca na quinta-feira com o filme "A Noiva", de Maggie Gyllenhaal, tendo disponíveis legendas descritivas e audiodescrição, através de telemóvel, para espectadores cegos ou com baixa visão e para pessoas surdas ou com deficiência auditiva, em todas as salas onde o filme se estrear.

Para aceder às legendas descritivas ou à audiodescrição, o espectador tem de descarregar uma aplicação no telemóvel (MovieReading), onde estes recursos estão disponíveis em língua portuguesa.

No caso da audiodescrição, as pessoas cegas ou com baixa visão têm de levar consigo uns auscultadores, para poderem ouvir tudo o que é descrito no filme.

No caso das legendas descritivas, estas são automaticamente sincronizadas com o telemóvel do espectador, dentro da sala de cinema.

Por uma questão de conforto, algumas salas de cinema vão disponibilizar suportes de apoio para que os espectadores coloquem o telemóvel de forma a poderem ler as legendas descritivas.

A iniciativa começa com "A Noiva", prosseguirá em abril com a comédia francesa "Ladrões da Treta", de Grégoire Vigneron, e em maio com o filme português "18 Buracos para o Paraíso", de João Nuno Pinto.

"Se queremos promover as acessibilidades no cinema em Portugal de uma forma muito mais massiva, faria sentido irmos para as salas de cinema, com filmes mais comerciais e isso foi o 'shift' que decidimos fazer", explicou um dos responsáveis da AMPLA, Hugo Tornelo, à agência Lusa.

Esta mudança da AMPLA para a rede nacional de cinemas acontece depois de esta plataforma ter organizado nos últimos anos uma mostra de cinema, em Lisboa, na qual os filmes escolhidos eram exibidos com condições de acessibilidade para todos os públicos.

Segundo Hugo Tornelo, o objetivo agora é ter um filme por mês com aqueles recursos de acessibilidade, programando até dezembro, mas a AMPLA ainda aguarda os resultados de um pedido de financiamento do Instituto do Cinema e Audiovisual e espera conseguir a adesão de mais exibidoras e distribuidoras.

É que não basta criar os recursos para cada filme, cuja produção ronda os cerca de dois mil euros por cada obra cinematográfica, disse aquele responsável.

"Há uma dinâmica diferente que não estávamos habituados na produção de recursos, que é conseguir ter acesso a filmes com antecedência. E não temos por questões de segurança" das próprias distribuidoras, em relação aos filmes internacionais com os quais trabalham, explicou Hugo Tornelo.

Nessa promoção de acessibilidade nas idas ao cinema, há ainda todo um trabalho de comunicação por parte dentro do setor.

"Não basta ter o recurso na aplicação [no telemóvel]. É importante saber como acolher a pessoa com deficiência, como comunicar a experiência. A experiência vai desde a bilheteira até ao momento em que saio [da sala de cinema]", disse.

A utilização destes recursos de legendas descritivas e audiodescrição está detalhada em amplacinema.pt.

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