Mário Silvestre afirma que a sua presença no país "nada teria mudado".
O comandante nacional da Proteção Civil recusou esta quarta-feira que a sua ausência do país na semana passada tenha tido qualquer impacto nas decisões tomadas para fazer face à depressão Kristin e avançou que foi comunicada ao presidente da entidade.
"A minha presença física nada teria mudado (...) qualquer outro tipo de medida além daquelas que foram tomadas", afirmou Mário Silvestre, dizendo que no dia 25 de janeiro "nada antevia" as consequências da depressão Kristin.
Falando numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, no distrito de Lisboa, o responsável lembrou que, após uma reunião com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a avaliação realizada determinou que seria "uma situação tipicamente de inverno".
"Não havia no domingo [25 de janeiro] absolutamente nada que nos indicasse que iríamos ter o fenómeno que depois tivemos na madrugada de quarta-feira. E, portanto, em representação institucional (...) desloquei-me a Bruxelas", esclareceu.
E acrescentou: "se soubesse no dia 25 [de janeiro] que a depressão Kristin nos ia afetar, era óbvio que não iria sair do país, tal como não saí nem fui de férias durante o período crítico" de incêndios.
A justificação de Mário Silvestre surge após a revista Sábado ter noticiado, na terça-feira, que o comandante nacional da Proteção Civil ausentou-se do país durante três dias, para uma formação em Bruxelas, durante a depressão Joseph e mesmo antes da tempestade Kristin, no âmbito do curso de auditor de Defesa Nacional do Instituto da Defesa Nacional.
O responsável recordou que o comando nacional é composto por um segundo-comandante nacional e cinco adjuntos.
"O trabalho que eles fizeram foi todo ele bem feito, coordenado comigo, coordenado com o presidente [José Manuel Moura]. O centro de coordenação operacional reuniu como tinha que reunir. Houve conferência de imprensa. Nada deixou de ser feito por causa da minha ausência", vincou.
Portugal continental está a ser afetado por condições meteorológicas adversas devido à depressão Leonardo, com chuva forte e persistente, vento intenso, agitação marítima e queda de neve nas terras altas do Norte e Centro.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê que este cenário de tempo instável se mantenha até sábado.
Esta nova tempestade surge uma semana após a passagem da depressão Kristin, que provocou 10 mortes e deixou um rasto de destruição: casas e empresas danificadas, árvores e estruturas caídas, estradas e transportes condicionados, escolas encerradas e falhas de energia, água e comunicações.
Centenas de pessoas ficaram feridas ou desalojadas, com Leiria, Coimbra, Santarém e Castelo Branco entre os distritos mais afetados.
Face à gravidade dos danos, o Governo declarou situação de calamidade em 68 concelhos até domingo e anunciou um pacote de apoio que poderá atingir 2,5 mil milhões de euros.
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