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Correio da Manhã

Sociedade
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Concurso do IPS causa polémica

A empresa de que é sócio o filho do Instituto Português do Sangue (IPS) é a única em condições de responder ao concurso público lançado por aquele instituto para aquisição, por 200 mil euros, de um aparelho para medição da hemoglobina sem necessidade de picada.
22 de Agosto de 2010 às 00:30
Gabriel Olim, presidente do IPS, alegou não ter nada que ver com o concurso para aquisição do aparelho que dispensa a picada
Gabriel Olim, presidente do IPS, alegou não ter nada que ver com o concurso para aquisição do aparelho que dispensa a picada FOTO: João Miguel Rodrigues

Gabriel Olim, presidente do IPS, afirmou ter tido conhecimento da referida tecnologia, desenvolvida por uma empresa israelita, durante uma viagem aos Estados Unidos, em Outubro de 2009. Em Fevereiro deste ano, o fabricante apresentou o aparelho em Lisboa. Em Julho, o IPS lançou um concurso público para o fornecimento de ‘Testes para Determinação Automática do Valor da Hemoglobina na pré-doação de Sangue’.

Das quatro empresas que concorreram, apenas uma, a Med First, apresentou um aparelho não-invasivo, propondo-se entregar 50 aparelhos ao IPS e 45 aos centros regionais de Lisboa, Coimbra e Porto, por 200 mil euros. Nelson Olim, director médico da Med First, que assinou a proposta, é filho de Gabriel Olim.

O presidente do IPS reconheceu, em declarações ao ‘Público’, que pode ter falado com o filho sobre esta solução, sublinhando não ter responsabilidade sobre os concursos públicos e desconhecer quem compõe o júri. Já Nelson Olim afirmou ter tido conhecido do concurso, "por acaso", através de um portal da internet.

Do ponto de vista legal e notando que, num caso com estes contornos, "prevaleça a suspeita de que tudo possa ter sido feito em benefício de outrem", o advogado Rogério Alves não preconiza a anulação do concurso. "Tratando-se de uma tecnologia com benefício, certificado por uma entidade independente, para a saúde das pessoas e obtida a um custo justo, a suspeita será um efeito secundário".

O CM tentou o contacto com Gabriel e Nelson Olim, sem sucesso. O Ministério da Saúde não quis prestar esclarecimentos.

HEMOGLOBINA AVALIADA EM APENAS UM MINUTO

A Food and Drug Administration (FDA), organismo que controla o mercado do medicamento nos Estados Unidos, aprovou recentemente a aplicação de um dispositivo não-invasivo para medição da hemoglobina, já antes caucionado pela Comissão Europeia para introdução do mercado dos 27.

Designado Pronto-7, o aparelho tem o tamanho de uma mão e permite determinar os níveis de hemoglobina em apenas um minuto. Entre as vantagens apontadas pelos médicos, conta-se a rapidez no acesso aos resultados da análise.

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