No distrito de Bragança, com quase sete mil quilómetros quadrados de extensão, existe apenas uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação.
A criação da segunda Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) seria uma mais-valia para o distrito de Bragança, mas o problema é a falta de adesão dos médicos, adiantou, esta quarta-feira, o enfermeiro coordenador da VMER Norberto Silva.
"Há 20 anos, saídos do Euro 2004, havia um projeto de duas VMER para o distrito, uma a implementar a norte do distrito e outra a implementar a sul do distrito, em Mirandela. O que é facto é que 20 anos passaram e essa realidade [não se concretizou] (...). Há dificuldades na instalação destes meios, que muitas vezes tem a ver com a adesão", disse, esta quarta-feira, aos jornalistas, Norberto Silva, enfermeiro coordenador da VMER da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, nas comemorações dos 20 anos da implementação deste serviço.
No distrito de Bragança, com quase sete mil quilómetros quadrados de extensão, existe apenas uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação, sediada em Bragança. Nos concelhos mais a sul do distrito, como Freixo de Espada à Cinta, que fica a duas horas de distância da capital de distrito, a celeridade deste serviço acaba por ficar comprometida.
"Para Freixo de Espada à Cinta, a VMER não consegue ter uma atuação em tempo útil, porque o tempo de deslocação de chegada às vítimas, para múltiplas situações não permite ter uma resposta eficaz", admitiu Norberto Silva.
Nestes casos, são acionados outros meios de emergência extra-hospitalar espalhados pelo distrito, como o helicóptero do INEM sediado em Macedo de Cavaleiros, ou as duas ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), em Mogadouro e Mirandela.
O enfermeiro coordenador reconhece que a instalação de uma segunda VMER no sul do distrito "seria uma mais-valia", mas "por razões diversas ela não se conseguiu instalar".
"O problema são sempre os recursos humanos. Neste momento, penso que não haveria problemas em criar uma outra equipa de enfermagem em Mirandela. Daquilo que é a área médica, tenho algumas dúvidas de que se conseguisse arranjar um grupo de 20 médicos, por exemplo, para manter aberta uma VMER em Mirandela", afirmou.
Há duas décadas que o distrito de Bragança tem Viatura Médica de Emergência e Reanimação. De acordo com o médico coordenador deste serviço, Rui Terras, apesar dos problemas demográficos, os cuidados prestados são "exatamente os mesmos como em qualquer outro ponto [do país], na perspetiva da diferenciação, da qualidade da prestação de cuidados médicos", sublinhando que a taxa de operacionalidade está "muito perto dos 100%".
Nas comemorações, que aconteceram, esta quarta-feira, no Salão Nobre da Escola Emídio Garcia, em Bragança, foram ainda abordadas perspetivas futuras do socorro que pode ser prestado fora do hospital.
Carla Gomes, médica interna de medicina intensiva da VMER da ULS do Nordeste, apresentou vários instrumentos e práticas que já estão a ser aplicadas noutros países, como a Dinamarca, e que podem fazer a diferença no salvamento das pessoas.
Um dos exemplos foi o uso de drones para fazer chegar meios de salvamento, mas para isso é "preciso que a população em geral tenha formação em suporte básico de vida".
"Havendo uma pessoa com formação e suporte básico de vida, conseguimos colocar [através do drone] um desfibrilhador automático externo, que aumenta muito a possibilidade de sobrevivência numa paragem cardiorrespiratória, no local, ou seja, antes da chegada dos meios [de socorro]", explicou.
No entanto, a implementação deste dispositivo depende da vontade do Governo.
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