Associação já recebeu meia centena de reclamações sobre a realização de eventos culturais afetados.
A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) já recebeu meia centena de reclamações sobre a realização de eventos culturais afetados pela covid-19 e lamenta que a legislação não seja clara sobre devoluções de bilhetes.
"Pedimos uma clarificação legislativa, porque a legislação não é clara" e o consumidor "devia ter sempre poder de escolha seja o espetáculo cancelado ou reagendado", afirmou à agência Lusa o jurista da DECO Paulo Fonseca.
Segundo o responsável, a DECO recebeu meia centena de reclamações de consumidores, sobretudo nos primeiros dias de estado de emergência, decretado em março pelo Governo por causa da pandemia da covid-19 e que levou ao cancelamento e adiamento de centenas de eventos culturais.
A 26 de março foi publicada legislação com medidas excecionais e temporárias sobre a realização de eventos culturais, nomeadamente para protegerem os "agentes culturais envolvidos na realização dos espetáculos não realizados em virtude da pandemia".
Essa legislação aplica-se "a todos os espetáculos que não podem ser realizados no lugar, dia ou hora agendados, entre os dias 28 de fevereiro de 2020 e até ao 90.º dia útil seguinte ao fim do estado de emergência" - ou seja, até ao início de setembro, uma vez que o estado de emergência terminou a 02 de maio.
Uma das medidas dessa legislação estipula que o consumidor pode pedir o reembolso de bilhetes apenas para espetáculos cancelados, e no prazo máximo de 60 dias úteis desde o anúncio do cancelamento.
A lei define ainda que os espetáculos abrangidos "devem, sempre que possível, ser reagendados" "no prazo máximo de um ano".
Foi o que aconteceu, por exemplo, com o festival Rock in Rio Lisboa, que estava marcado para junho deste ano e foi já reagendado para junho de 2021, transitando pelo menos três nomes do cartaz: Foo Fighters, The National e Liam Gallagher.
O que a DECO lamenta é que, por falta de clarificação da lei, o consumidor não possa pedir devolução do valor do bilhete se o espetáculo for reagendado.
"Devia haver total transparência para o consumidor" e este "devia ter sempre opção e poder escolher se aceita um determinado reagendamento", mesmo que isso fosse negociado com o promotor até porque questões de fluxo de caixa, explicou o jurista.
Tendo em conta que a maioria dos festivais de música de verão não foram ainda cancelados ou reagendados, a DECO alerta ainda para as implicações nos respetivos cartazes e programação de artistas.
Segundo Paulo Fonseca, se um festival for reagendado para outra data e não mantiver o mesmo cartaz, isso deve ser entendido como um cancelamento e dar direito a reembolso de bilhete.
"É esse o nosso entendimento. Não seria um reagendamento, mas um cancelamento com novo cartaz", disse.
Questionado pela agência Lusa, o inspetor-geral da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC), Luís Silveira Botelho, sublinha que "no caso de o espetáculo ser reagendado o consumidor final não tem direito à devolução do bilhete".
"Tal só acontece se o promotor ou agente cultural assim o decidir", explica.
Segundo o inspetor-geral, "não foram ainda realizadas quaisquer ações de fiscalização dado que ainda não estão criadas as condições para que muitos espetáculos sejam reagendados nem o prazo para comunicar os reagendamentos se encontram esgotados".
Na semana passada, vários empresários e promotores de espetáculos e de festivais de música tiveram uma audiência com o primeiro-ministro, António Costa, mas no final não revelaram o que vai acontecer ao calendário de eventos.
Já o primeiro-ministro afirmou, primeiro no Twitter e depois numa entrevista na RTP, que o Governo iria procurar "soluções que minimizem os impactos da crise provocada pelo covid-19 no setor" e que havia uma "enorme probabilidade" de os festivais não acontecerem este ano.
Na audiência estiveram presentes os promotores Álvaro Covões, Roberta Medina, Luís Montez, João Carvalho, Filipe Lopes e Jorge Lopes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.