Segundo o INE. o grau de autoaprovisionamento dos cereais "manteve-se fortemente deficitário", nos 17,9%, um agravamento de 0,2 pontos percentuais.
Portugal aumentou em 2024 a dependência externa em cereais, produtos lácteos e frutos, mas reforçou o aprovisionamento excedentário em vinho e azeite, segundo as "Estatísticas Agrícolas" divulgadas esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o INE, os graus de autoaprovisionamento do país fixaram-se em 17,9% nos cereais, 90,1% no leite e derivados e 68,8% nos frutos, tendo-se mantido o nível de autossuficiência em arroz.
Segundo destaca, na campanha 2023/2024, o grau de autoaprovisionamento dos cereais (exceto arroz) "manteve-se fortemente deficitário", nos 17,9%, um agravamento de 0,2 pontos percentuais face à campanha anterior.
O grau de autoaprovisionamento de 90,1% para o conjunto dos produtos lácteos (leite e derivados) em 2024 compara com 94,1% em 2023, tendo-se mantido excedentários o leite para consumo público (108,9%) e a manteiga (140,0%), mas continuando deficitários alguns produtos lácteos como os leites acidificados (52,5%), as bebidas à base de leite (68,2%) e o queijo (60,8%).
No ano passado, o mercado interno contribuiu com 75,2% da quantidade de carne necessária para satisfazer as necessidades nacionais de consumo, mais 0,3 pontos percentuais do que no ano anterior.
A carne de animais de capoeira foi a mais consumida (49,3 quilogramas (kg)/habitante, que compara com 46,8 kg/habitante em 2023), seguida da carne de suíno (42,7 kg/habitante versus 41,6 kg/habitante em 2023).
O consumo 'per capita' de frutos na campanha 2023/2024 foi de 151,1 kg de frutos por habitante (152,0 kg na campanha 2022/2023), tendo-se o respetivo grau de autoaprovisionamento fixado em 68,8%, menos 5,2 pontos percentuais face à campanha anterior.
As importações e exportações de frutos aumentaram 4,8% e 3,4%, respetivamente.
Já o grau de autoaprovisionamento do azeite em 2023 foi de 214,9% (114,9 pontos percentuais acima da autossuficiência), o que posiciona a campanha oleícola como a segunda mais produtiva de sempre.
Em comparação com 2022, as exportações de azeite reduziram-se em 12,0% e as importações caíram 3,2%.
Na campanha 2023/2024, o grau de autoaprovisionamento do vinho fixou-se em 117,4% (113,6% em 2022/2023).
A produção vinícola aumentou 10,1% face à campanha anterior, tendo-se registado uma "diminuição significativa" das importações de vinho (-45,4%) e também uma contração das exportações, embora de menor intensidade (-18,6%).
Foi privilegiado o consumo dos vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOP) e os de Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Em 2024, o rendimento da atividade agrícola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), registou um acréscimo (+14,5%), em consequência do "grande aumento" dos "outros subsídios à produção" (+143,4%), uma vez que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) terá diminuído 1,1%.
Segundo o INE, o decréscimo do VAB, em termos nominais, resultou de uma "diminuição ligeira" da produção do ramo agrícola (0,2%) conjugada com um aumento do consumo intermédio (+0,3%).
Em termos reais, o VAB cresceu 7,3%, refletindo um aumento, em volume, da produção (+4,2%) superior ao do consumo intermédio (+2,5%).
Quanto ao índice de preços de produção dos bens agrícolas, diminuiu 2,7% em 2024, refletindo um decréscimo de 1,7% no índice de preços da produção vegetal e de 4,4% no índice de preços da produção animal.
Já o índice de preços dos bens e serviços de consumo corrente na agricultura registou uma diminuição de 0,4% e o índice de preços dos bens e serviços de investimento da atividade agrícola um aumento de 3,5%.
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