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Dez pessoas retiradas de casa devido a inundações em Óbidos

Rios transbordaram devido a descarga de barragem que interditou várias estradas e inundou hectares de campos agrícolas.

05 de fevereiro de 2026 às 12:11

Dez pessoas foram retiradas de casas inundadas, em Óbidos, concelho onde todos os rios e ribeiras transbordaram devido a uma descarga da barragem que interditou várias estradas e inundou hectares de campos agrícolas, informou a Câmara.

"Temos cerca de 10 pessoas que tivemos que retirar das suas casa, na zona mais baixa, junto da Rua da Biquinha, por as habitações terem ficado inundadas, algumas com água a entrar pelas janelas", disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Óbidos, Filipe Daniel.

Depois de, há nove dias, a depressão ter "assolado bastante o território, com algumas situações de quedas de árvores, telhados, levantamento de telhados e coberturas, além de danos de quedas de árvores sobre habitações", a depressão Leonardo provocou esta madrugada um "cenário de devastador de água por todo, desde a Lagoa até Óbidos, passando pela Amoreira, Vau, Sobral da Lagoa", afirmou.

Além da chuva, a situação foi agravada pelo facto de a Barragem do Arnóia ter feito uma descarga, em virtude de ter " um mecanismo de segurança que, a partir dos 31,45 metros de altura do nível de água, que aciona um mecanismo de abertura automático das suas comportas".

Os dois rios que atravessam o concelho (Arnóia e Real) "galgaram as margens, tal como todas as ribeiras" o que resultou em perto de uma dezena de estradas, municipais e nacionais, cortadas, entre as quais a Nacional 8, que liga este concelho a Caldas da Rainha.

Embora se registem "algumas derrocadas" e os serviços estejam a avaliar as interdições de estradas" não há nenhuma povoação isolada "mas, segundo o presidente, "há hectares e hectares de terrenos agrícolas inundados, com prejuízos incalculáveis para muitas famílias tem a agricultura como único meio de subsistência".

O autarca teme que grande parte da população "ficará afetado pelo menos meio ano, perdendo uma ou duas épocas de culturas, nomeadamente nos hortícolas, também com graves prejuízos no âmbito da fruticultura".

Filipe Daniel disse à Lusa que "apenas as pessoas mais velhas tem memória de uma situação desta dimensão, só comparável a inundações que ocorreram em 2006" quando a barragem não tinha ainda o mecanismo de armazenamento de água autorizado e, portanto, não se conseguia fazer essa gestão de água".

Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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