Lídia Albornoz, representante da associação Com Venezuela, diz que "é preciso manter a calma" e esperar que aconteça "a liberdade com paz".
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Algumas dezenas de venezuelanos e lusodescendentes concentraram-se este domingo na marginal do Funchal manifestando "alegria" pelo que dizem ser "o primeiro passo" no processo de restauração da democracia naquele país e considerando que a intervenção norte-americana foi a solução.
"É chuva da liberdade", declarou Lídia Albornoz, representante da associação Com Venezuela, criada pela ativista María Corina Machado (líder da oposição e Nobel da Paz), referindo-se aos pingos que caíam no momento da concentração.
A iniciativa contou, entre outros, com o diretor regional das Comunidades da Madeira, Sancho Gomes, deputados e dirigentes de alguns partidos.
Para Lídia Albornoz, a transição do regime na Venezuela é um processo que "deu o primeiro passo", sendo este um momento de "alegria, mas de muita ponderação".
"Foi retirada a 'peça' Nicolás Maduro e ele será condenado pelos crimes que cometeu", afirmou, ao que se seguiu em uníssono um "amém" dos presentes.
A representante salientou que Edmundo González Urrutia (candidato da oposição às eleições presidenciais venezuelanas de 2024, nas quais reclamou a vitória) é o Presidente da República da Venezuela democraticamente eleito e reconhecido por muitos países, sendo ele quem "tem de tomar posse".
No seu entendimento, seria "antidemocrático ser María Corina Machado porque ela não foi candidata, nem eleita".
Sobre a intervenção dos Estados Unidos, Lídia Albornoz questionou se "havia outra estratégia sem ser a de Trump", respondendo logo em seguida: "A verdade é que não havia outra solução e foi esta a solução."
"Agora esperemos que corra bem para os venezuelanos e é preciso manter a calma e esperar que aconteça o que queremos: a liberdade com paz", vincou.
Por seu turno, presidente da associação Venecom, Ana Cristina Monteiro, sublinhou que esta é "uma concentração diferente das anteriores porque os venezuelanos, com alegria, estão agora a ver uma luz ao fundo do túnel".
"Foram 26 anos de ditadura, em que fomos perseguidos, amordaçados e houve violação dos nossos direitos civis e humanos", sustentou.
Para Ana Cristina Machado, "podia ser melhor ou podia ser pior, mas esta foi a solução que se encontrou em 26 anos", e este é o momento para "celebrar a vitória deste pequeno passo, porque é o início do fim".
Também realçou que os venezuelanos estão "prontos para a próxima batalha" e para serem "a energia de María Corina Machado".
Pedro de Mendonza, coordenador do partido Vente Venezuela e filho de madeirenses, referiu que o mandato de Edmundo González "está vigente", reforçando a confiança em que este processo de transição respeite "essa vontade do povo venezuelano" e em que a luta vá "até ao fim".
"Temos tido um país durante 26 anos invadido por forças estrangeiras: cubanas, russas, chinesas, iranianas e grupos de terroristas e de tráfico. Tudo e o que aconteceu ontem é o primeiro e decisivo passo deste processo de transição", apontou o ativista.
A diáspora no estrangeiro, assegurou, está "pronta para ser a voz do país que ainda não pode falar e chamar os democratas do mundo nos momentos decisivos".
Pedro de Mendonza mencionou que "os custos da estadia de Maduro no poder por muitos anos, pagos com sangue e vidas", foram enormes quando questionado sobre a afirmação do Presidente dos Estados Unidos de que os custos da operação seriam suportados com petróleo da Venezuela.
O diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa da Madeira, Sancho Gomes, justificou à Lusa a sua presença na concentração por ser uma "manifestação de solidariedade à Venezuela, mas também com os luso-venezuelanos que residem na Madeira", reafirmando que a mensagem transmitida por emigrantes em Caracas é de "tranquilidade, apesar de alguma tensão e de estarem expectantes relativamente ao futuro".
"Dou graças a Deus pelo que passou e temos de continuar lutando", disse à Lusa Elisabet Fernandez, que marcou presença na concentração com a filha, argumentando que o que aconteceu na Venezuela "não foi um golpe de Estado, foi um golpe ao narcotráfico de Maduro, ao terrorismo".
A venezuelana, chegada há seis anos à Madeira, espera que "haja uma mudança" e entende que é "preciso esperança para regressar", que é o seu objetivo, apontando: "Agradeço muito à Madeira, encanta-me a ilha, mas o meu coração e tudo o que tenho (família, negócios, propriedades) está lá".
Outra lusodescendente, uma advogada, admitiu à Lusa estar "com esperança a 100%, com muita alegria, porque foi ouvido aquele pedido feito todos os anos com alma e coração para Nicolás Maduro sair do poder".
Existem agora "muitas expectativas, mas tudo tem um processo", afirmou, complementando que, com base nos contactos mantidos com María Corina Machado, "todas as coisas estão sendo feitas de maneira a que o país torne a ser livre e maravilhoso".
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Maduro e a mulher foram transportados para Nova Iorque e Presidente deposto vai comparecer na segunda-feira num tribunal em Manhattan, para responder por "narcoterrorismo".
A vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumiu a a presidência interina do país.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que a ação militar dos Estados Unidos poderá ter "implicações preocupantes" para a região.
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