Dique da ponte dos Casais rebentou e circulação na A1 está condicionada.
Dique do Mondego rompe em Coimbra. Há risco de colapso
A margem direita do Rio Mondego, nos Casais, Coimbra, rebentou esta quarta-feira à tarde, junto ao viaduto da autoestrada 1 (A1), disse à agência Lusa o presidente da Associação de Agricultores do Vale do Mondego.
A autoestrada A1 está cortada nos dois sentidos entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul devido à rutura do dique, de acordo com a Brisa. Em comunicado a BCR - Brisa Concessão Rodoviária, precisou que o corte da via se localiza entre os quilómetros 198 e 189.
João Grilo, que tem uma propriedade agrícola perto do local, estava a vistoriar as margens quando aquela parte do canal principal do Mondego rebentou, pelas 17h45. Fonte da Proteção Civil confirmou à Lusa que ocorreu uma rutura do dique em Casais, na margem direita do Mondego, junto da ponte da autoestrada, ao quilómetros 191.
De acordo com este empresário agrícola, há o perigo de haver um novo rebentamento também na margem direita, junto ao Centro Hípico de Coimbra, mais a montante.
Já Armindo Valente, também empresário agrícola e vice-presidente da Associação de Beneficiários da Obra Hidroagrícola do Mondego, confirmou o rebentamento do dique direito do canal principal do Mondego, tendo assistido à água a galgar a margem direita do rio para dentro do canal de rega adjacente.
“Eu estava lá em cima, na autoestrada [A1], porque fui informado que a água estava a galgar de dentro do Mondego para dentro do canal de rega. Saí de lá e, nem cinco minutos depois, o dique cedeu debaixo da autoestrada”, explicou.
Indicou que a água que está a sair do canal principal do Mondego está a inundar os campos do bloco de rega de São Martinho do Bispo, na margem direita, no município de Coimbra.
A povoação de São Martinho do Bispo fica na margem esquerda do Mondego, e não está a ser diretamente afetada por este rebentamento.
Questionado sobre qual o percurso desta água nas próximas horas, Armindo Valente explicou que a enxurrada irá, à partida, na direção do município de Montemor-o-Velho e povoações de Casal Novo do Rio e Ereira, esta última isolada há uma semana precisamente pela água acumulada no vale central.
Armindo Valente frisou que com o rebentamento da margem a água poderá ficar nos campos agrícolas, entre o canal principal do Mondego e o chamado leito periférico direito - que recolhe água das povoações ao longo da estrada nacional (EN) 111 e as canaliza para o Mondego, a jusante da povoação de Alfarelos (Soure) – mas também poderá partir o dique esquerdo do periférico direito e ameaçar diretamente o município de Montemor-o-Velho, tal como sucedeu em 2019.
“Se a água entrar no periférico direito [partindo a margem esquerda desse leito], depois só a margem direita impedirá que chegue ao Casal Novo do Rio, a Montemor-o-Velho e à Ereira. Vamos ver se as margens aguentam”, explicou.
Por outro lado, após as cheias de 2019, o município de Montemor-o-Velho fez pressão para que fosse instalado (o que sucedeu) um “dique fusível” entre os campos agrícolas e o periférico direito, precisamente para poder receber água que vem do vale central, sem que a margem desse leito quebrasse.
Esse dique só poderá funcionar se a altura de água acumulada nos campos for superior à que corre no periférico direito, o que agora deverá suceder, com o rebentamento do dique.
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