Susana Sampaio chamou a atenção para o problema em torno do órgão mais transplantado a nível mundial.
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Portugal tem uma lista de espera para transplante renal de duas mil pessoas, tendo a presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), Susana Sampaio, apelado esta quinta-feira no Porto para o aumento em vida das doações de rim.
Em declarações à agência Lusa, à margem das comemorações do primeiro transplante de rim em Portugal, realizado a 20 de julho de 1969, Susana Sampaio chamou a atenção para o problema em torno do órgão mais transplantado a nível mundial.
"Em Portugal, e no mundo, o transplante que mais se realiza é o renal e, por isso, temos mais gente em lista de espera, sendo que em Portugal existem cerca de duas mil pessoas à espera", revelou a presidente da SPT.
O tempo de espera, acrescentou, "depende do grupo sanguíneo, mas pode chegar aos cinco anos e meio desde o início da diálise".
Segundo Susana Sampaio, "talvez por questões epidemiológicas, tensões menos controladas e menos idas ao médico" são os homens quem mais figura na lista nacional de espera pelo transplante renal.
Numa sessão solene consagrada ao tema "Transplantes e Gravidez", a especialista chamou a atenção para a necessidade do aumento em vida do número de doações do rim", pois "os números nacionais e mundiais em termos de doação de cadáver não conseguem suprir as necessidades", alertou.
Sobre o tema que reuniu na Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) especialistas nacionais, Susana Sampaio considerou que o mais importante é "chamar a atenção que a gravidez, principalmente para a mulher transplantada, tem de ser planeada".
"Há cuidados especiais a ter neste grupo de mulheres, devido à medicação imunossupressora que, diminuindo o risco de rejeição do órgão, não é boa porque pode conduzir a malformações fetais", disse.
Planear, trocar a imunossupressão e vigiar a estabilidade da situação em termos de função do órgão são, para a presidente da SPT, os passos necessários antes de planear a gravidez.
Revelando ser raro haver mulheres que engravidam estando, por exemplo, em processo de hemodiálise, "pois as alterações hormonais levam a que fertilidade fique diminuída", a responsável frisou que "o sucesso é possível, ainda que seja relativo".
"O sucesso depende do grau de acompanhamento e do incremento das sessões de diálise para que os tóxicos que a mulher que sofre de doença renal tem no sangue diminuam e não afetem o feto", explicou, adiantando que essas gravidezes resultam normalmente em "crianças de baixo peso e, muitas vezes, em partos prematuros".
Com fármacos imunossupressores contraindicados em caso de gravidez, a especialista deu conta de "alternativas com menos toxicidade", num processo em que é "imperioso controlar a tensão arterial e ser bem medicada".
De acordo com a especialista, "a fertilidade é mais reduzida nas mulheres que sofrem de insuficiência renal crónica - entre 0,3 a 1,5 gravidezes/ano, por cada cem mulheres em idade fértil e submetidas a hemodiálise".
"E ainda que continue a ser inferior ao verificado na população geral (10 gravidezes por cem mulheres/ano), este é um valor que sobe após o transplante (passa para 3,3 por cem mulheres/ano)", disse.
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