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Correio da Manhã

Sociedade
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Ecografia 4D e cateter para tratar coração

A técnica é inovadora a nível mundial. O Centro Hospitalar de Gaia/Espinho (CHGE) aliou um cateter fino à ecografia a quatro dimensões para tratar doentes com problemas do coração. Sem necessidade de anestesia geral nem intubação do doente, os médicos conseguem ver as estruturas intracardíacas e resolver as patologias.
7 de Outubro de 2012 às 01:00
Hospital tem a primeira ecografia intracardíaca volumétrica da Europa
Hospital tem a primeira ecografia intracardíaca volumétrica da Europa FOTO: Amândia Queirós

Os primeiros dois doentes foram tratados em Setembro. Um dos tratamentos foi para encerrar uma comunicação interauricular; o outro paciente tinha fibrilação auricular e precisava de encerrar o apêndice auricular, devido ao risco de AVC. No entanto, esta técnica pode ser utilizada em todas as patologias dentro do coração. A diferença em relação à actual técnica é o facto de o doente estar com anestesia local, e não ter de ser entubado para se introduzir uma sonda no esófago. "O cateter é fino e introduzido na veia femoral [virilha] com anestesia local, com a vantagem de diminuir os riscos associados à anestesia e intubação, diminuindo a morbilidade do procedimento. A técnica usada actualmente para tratar estas patologias – encerramento do apêndice auricular, de comunicação interauricular, implantação de válvula aórtica percutânea, encerramento de ‘leaks’ paravalvulares – é a da ecocardiografia tran-sesofágica, o que obriga a intubação e anestesia", explica Vasco da Gama Ribeiro, director de Cardiologia do CHGE.

Além de se usar o cateter fino, a ecografia é a 4D: tridimensional em tempo real (a cores e movimento). "Integra todas as modalidades de imagem cardíaca numa só plataforma de visualização e com base de dados comum, o que faz que o processo clínico seja mais fluido e rápido". Os cateteres foram oferecidos ao hospital pela Siemens, para a realização de testes, e não há mais intervenções agendadas.


"CHEGAVA ÀS 200 BATIDAS POR MINUTO"

José Barbosa, 51 anos, descobriu há quatro anos que tinha arritmia e taquicardia. "Senti dores no peito durante a noite e nem consegui dormir", conta. Administrativo em Alpendorada (Marco de Canaveses), foi à médica de família, que o pôs a fazer prova de esforço. "A minha sorte foi ter feito tudo até ao fim, assim detectaram o problema. Tenho a pulsação muito baixa: 45 a 50 por minuto, quando a média é 60 a 80. Quando me enervava, o meu coração ia aos 200 batimentos por minuto, parava três segundos e voltava outra vez. O problema era quando parava, podia coagular o sangue e causar um derrame". José foi encaminhado para Pinheiro Vieira, cardiologista do Hospital de Stº António (Porto) e especialista na área da arritmia. Tomou anticoagulantes e em 2010 foi submetido a uma ablação cardíaca (para controlo de arritmias). "Antes do cateterismo, cansava-me muito. Depois fui recuperando aos poucos. Nunca mais tive dores, mas o meu modo de vida alterou-se radicalmente", diz.

"MAIS SEGURO PARA O DOENTE": Vasco G. Ribeiro, Dir. Cardiologia C.H. Gaia/Espinho

Correio da Manhã – Qual é a mais-valia desta técnica?

Vasco da Gama Ribeiro – Com um cateter muito fino e o doente acordado, é possível ter a mesma qualidade de imagem para fazer o procedimento. As vantagens é mais segurança para o doente e mais rapidez.

– Quais os critérios para se ser submetido a es-ta técnica?

– A impossibilidade de hipocoagulação. No caso de fibrilação auricular e risco de embolia cerebral, a única forma é encerrar o apêndice e evitar a trombose auricular.

– A técnica só foi utilizada em dois doentes. Vai haver mais?

- Só há dois cateteres no mundo que foram postos cá, e há um na Alemanha em testes. É preciso que a administração dê ordem para os adquirir.

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