Empresa pediu 1,8 milhões de euros para recuperar muro.
A tempestade ‘Kristin’ arrasou a região há quase três meses. O mau tempo destruiu a casa de Gabriela Costa, situada nos Parceiros, em Leiria, e desde então nada mudou. “Isto era o meu canto e agora não tenho nada, praticamente”, conta com as lágrimas nos olhos. Aos 67 anos, a mulher ficou sem aquilo que considerava ser o seu porto seguro. A casa de madeira onde vivia foi arrasada pelos ventos fortes e a chuva intensa que caiu com intensidades nos dias que se seguiram, devastou o que ainda restava. “Ainda ando a ver o que é que sobrou porque há sacos de roupa que tive de mandar para o lixo, encharcados em água”, explica. Para piorar a situação, além de não ter a moradia assegurada, Gabriela descobriu que não tinha direito aos apoios anunciados pelo Governo. “Fui ao Mercado Santana, levei a caderneta predial e a primeira coisa que a senhora me disse foi que eu não tinha direito e que tinha de ir buscar outra (caderneta predial) às finanças”, recorda. É apenas uma porta de madeira, débil e inchada devido à água, que separa a casa onde vivia e o anexo onde está agora. Sempre que a abre, depara-se com aquele que é o seu maior pesadelo. Desde a madrugada de 28 de janeiro, a mulher de 67 anos, já recebeu várias visitas de assistentes sociais, da presidente da Junta de Freguesia dos Parceiros e da Proteção Civil. “Tive de assinar um papel e fazer uma escolha: ou saía daqui ou ficava cá. Eu disse que ficava porque tinha animais e não os ia abandonar”. Outra das preocupações da idosa é o contador da luz, que está na casa de madeira e que levou com muita água da chuva. “Disseram que eu não estava em perigo. Com aquilo a cair, se eu passo ali por qualquer motivo....”. Gabriela vive em esforço constante. A idosa é doente oncológica e garante que além de lhe faltar força, agora também lhe falta esperança. “O que há a fazer está feito. Vivo de uma reforma de pouco mais de 300 euros”, explica.
Mau tempo destruiu a casa de Gabriela Costa em Leiria e desde então nada mudou
VÍDEO: CMTV
Numa outra freguesia do concelho, a perspetiva de um regresso a casa não é nada mais, nada menos, do que uma miragem. Obrigados a viver num apartamento, em Leiria, Albertino Nunes e a família vivem longe da casa a que chamava lar. A moradia, construída há 27 anos, em Santa Margarida, na freguesia da Memória, está em risco de ruir. O terreno cedeu e provocou fissuras na habitação, cujas fundações são visíveis. O muro que tinha construído para impedir o deslizamento de terras ficou destruído. Até à data, o morador não sabe se é seguro ou não regressar a casa. “Não venho para cá enquanto não tiver uma avaliação da Proteção Civil ou da Câmara, para saber se posso ou não habitar a casa. Mas até isso ainda não consegui”, explica frustrado. Já sobre os apoios financeiros anunciados pelo Estado, Albertino Nunes diz que concorreu, mas ainda não obteve qualquer resposta. E quanto ao seguro, o morador conta que recebeu um orçamento exorbitante que não sabe se vai apresentar. “Chamei cá uma empresa para dar orçamento para estacaria e por o muro como estava e pediram-me um orçamento de um milhão e oitocentos mil euros”. Três meses depois da ‘Kristin’, ainda há muitas vidas em suspenso que continuam a aguardar o dia em que possam regressar à normalidade.
Rasto de destruição da tempestade 'Kristin' ainda assombra Leiria
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Faltavam poucas semanas para a inauguração de um parque de diversões, do Grupo Melle Cat, na Gândara dos Olivais, em Leiria, quando a tempestade ‘Kristin’ arrasou o espaço. As expetativas eram altas, mas o mau tempo acabou por deitá-las por terra. “A primeira imagem é um cenário dantesco. Caiu aqui uma bomba e nós ajoelhamo-nos a ver o prejuízo causado”, recorda Carlos Valente. O espaço começou a dar prejuízo, antes de ter a oportunidade de registar lucro. “ Para além do investimento de um milhão, há os estragos causados”, explica o empresário. Três meses depois do mau tempo, ainda há destroços junto ao pavilhão, aquilo que Carlos Valente considera que é uma “pequena amostra” daquilo que aconteceu. Os trabalhos têm sido feitos ao longo de meses. Atualmente, os empresários aguardam resposta do seguro e também dos apoios do estado. Mas se inicialmente a previsão de abertura apontava para o início de fevereiro, agora a expetativa é que possam abrir portas o mais rápido possivel. “Antes de dia 1 de junho, o dia da Criança, nós queríamos abrir, agora depende do trabalho. Nós dissemos: o inverno estragou, a primavera vai-nos fazer reerguer e renascer e no verão vamos estar cá em força”.
Há moradores de Leiria afetados pela tempestade 'Kristin' que dizem ter sido esquecidos e abandonados pela autarquia
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