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Correio da Manhã

Sociedade
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Equipamento trata tumores inoperáveis

Trata tumores benignos e malignos pequenos e em locais que os tornavam inacessíveis às técnicas cirúrgicas convencionais. O equipamento Novalis Tx permite realizar técnicas avançadas de radiocirurgia: direcciona de forma precisa a radiação para o tumor, quer este esteja no cérebro ou seja extracraniano. O IPO do Porto é o primeiro hospital do País e da Península Ibérica a ter este equipamento. Já foram tratados sete doentes desde Dezembro.
27 de Maio de 2012 às 01:00
O equipamento direcciona de forma precisa a radiação para o tumor benigno ou maligno, quer seja no cérebro ou extracraniano
O equipamento direcciona de forma precisa a radiação para o tumor benigno ou maligno, quer seja no cérebro ou extracraniano FOTO: Manuel Araújo

O equipamento custou quatro milhões de euros e quando foi montado só existia um na Europa (em França). "É o Rolls-Royce da radiocirurgia. Todos os outros aparelhos exigem uma fixação externa, fixa ao crânio. Aqui, não há qualquer método invasivo", explicou Rui Ferreira, neurocirurgião do IPO do Porto. Com este equipamento, o doente usa uma máscara de imobilização facial, cómoda, enquanto que antes era colocado um anel fixo por parafusos no crânio para o imobilizar.

Mas as vantagens não se restringem à comodidade. "Este tipo de tratamento pode ser utilizado para qualquer localização, tumores benignos ou malignos, que têm obrigatoriamente de obedecer a critérios de inclusão muito rigorosos. A grande vantagem é para tumores pequenos", disse Helena Gomes Pereira, directora do Serviço de Radioterapia do IPO.

A dimensão do tumor não deverá exceder três centímetros. Com o equipamento Novalis Tx e o sistema Exactrac, o feixe de radiação incide de forma precisa e directa no tumor, sem provocar toxicidade significativa nos tecidos normais peritumorais. "Actualmente podemos atingir doses curativas com ausência ou toxicidade mínima", esclarece.


"A VANTAGEM É A PRECISÃO": Helena G. Pereira, Direct. de Radioterapia IPO Porto

Correio da Manhã - Qual a utilidade do equipamento?

Helena Gomes Pereira - A vantagem é a precisão, eficácia, comodidade e a baixa toxicidade para o doente.

- Como é que pode curar?

- A actual precisão do tratamento permite a realização de doses totais de radiação, aumentando o potencial curativo

- Quantos doentes já foram tratados?

- Tratámos, desde Dezembro de 2011, sete doentes. Todos estes doentes se encontram bem.

"O TUMOR ESTÁ MUITO PRÓXIMO DO NERVO ÓPTICO"

Jesuína Santos, 46 anos, soube que tinha acromegalia (tumor benigno na hipófise) em 2008. "A médica olhou para mim e disse logo o que eu tinha, porque o meu rosto era característico desse tumor", lembrou. Em 2009, foi operada ao tumor, que faz com que a hormona de crescimento seja produzida de forma descontrolada. "Tiraram uma parte do tumor, porque a outra está localizada muito próximo do nervo óptico", explicou.

Continuou a fazer medicação, mas, como não estava a ser eficaz, foi aconselhada a realizar radiocirurgia. "Trata o tumor reduzindo a produção de hormona", disse.

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