"Nesta escola só não tira boas notas quem não se esforçar minimamente, porque temos todas as condições de estudo e uma relação com os professores fora do normal, que nos dão explicações quase privadas."
O testemunho de Diogo Lacerda, de 17 anos, espelha a opinião geral dos alunos da Escola Secundária Alves Martins (ESAM), em Viseu, um estabelecimento de ensino que registou das melhores notas do 12º ano do País: colocou 27 alunos no curso de Medicina e 15 no de Arquitectura, os cursos que exigem melhores notas. No total, eram 36 alunos com média para poder entrar em Medicina, mas nove optaram por outros cursos.
Diogo Lacerda, natural de Sernancelhe mas a residir nos últimos três anos em Viseu, foi o estudante com melhor média: 19,8 valores. Onde ficaram as outras duas décimas? "Em Português e Biologia, que só consegui 19. Às outras disciplinas tive 20", explica o jovem, que justifica os bons resultados com a apetência para o estudo e o ambiente que se vive na escola. "Há uma competição saudável que exige muito de nós e nos motiva para a nota máxima", explica o jovem que entrou em Medicina na Universidade de Lisboa.
A Alves Martins foi fundada em 1848 e desde então tem mantido uma relação muito próxima com a Medicina, ou não tivesse ali estudado o prémio Nobel Egas Moniz. António de Oliveira Salazar foi outra personalidade que se sentou nas cadeiras desta escola. Adelino Pinto, director do conselho administrativo da Alves Martins, refuta a ideia de que se trata de um estabelecimento para alunos de classes mais endinheiradas. "Somos uma escola que tem alunos de todas as classes sociais e que não faz distinções desse tipo. O aluno quando entra aqui é um entre todos", garantiu o responsável. E onde está o segredo do sucesso e das boas notas alcançadas? "Nas boas práticas de todos os intervenientes da comunidade escolar [ver discurso directo]."
Os professores "têm grande responsabilidade" no sucesso dos alunos, e por isso, no discurso de abertura deste ano lectivo, Adelino Monteiro, presidente do conselho-geral da escola, não poupou nas palavras: "Os professores utilizam o humor como fonte de energia positiva que se pretende sempre renovadora, procurando ser um modelo de virtudes. As professoras, fruto do seu charme, inteligência e elegância, suspendem o tempo, eternizam a juventude e são elevadas ao estatuto de rainhas."
EXCELÊNCIA EM BRAGANÇA
Dez alunos da Escola Secundária Miguel Torga, em Bragança, entraram no curso de Medicina. Um motivo de orgulho e de satisfação para professores e direcção da escola. Dos 60 alunos que concluíram o 12º ano este ano, nove raparigas e um rapaz da mesma turma tiveram médias superiores a 18,5 valores. Ana Catarina Morais, filha de dois professores, foi a melhor aluna da Escola e concluiu o 12º ano com uma média de 19,8 valores: entrou na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Ser médica não era um sonho de infância, e a decisão só foi tomada depois do 10º ano. "O meu objectivo ao longo dos anos foi obter a melhor média para poder ser admitida no curso que quisesse e na faculdade que escolhesse", comenta, com ar descontraído. Mas se obter a melhor média da escola parece fácil, para trás ficou muito trabalho, estudo e concentração.
"Não sou do estilo marrona, mas o essencial foi estar sempre com muita atenção nas aulas e ter método de estudo em casa", diz Ana Catarina. Colega de infância, Inês Oliveira, 18 anos, com uma média de 19,7 valores, vai estudar também no Porto, mas no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. A futura médica, além do estudo intenso prefere realçar o espírito de entreajuda dos colegas de turma. "O ambiente era muito descontraído e funcionávamos como um grupo unido, o que nos impelia a querer fazer mais e melhor."
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