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Lídia Jorge, Valter Hugo Mãe, Dulce Maria Cardoso ou Ondjaki são algumas das 30 personalidades que assinaram uma carta aberta dirigida ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, para "trazer novamente para a opinião pública um assunto que parecia ter caído no esquecimento".
Escritores, professores e outras personalidades escreveram uma carta aberta ao ministro da Educação para "exercer pressão" para que José Saramago continue a ser de leitura obrigatória no ensino secundário, garantindo que "o assunto não está esquecido".
Lídia Jorge, Valter Hugo Mãe, Dulce Maria Cardoso ou Ondjaki são algumas das 30 personalidades que assinaram uma carta aberta dirigida ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, para "trazer novamente para a opinião pública um assunto que parecia ter caído no esquecimento".
Em causa está a proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais (AE) de Português que propõe acabar com a obrigatoriedade de os alunos do 12.º ano de terem de ler na íntegra uma de duas obras de José Saramago: "Memorial do Convento" ou "O Ano da Morte de Ricardo Reis".
O ministério apresentou uma proposta, conhecida em finais de março, que dá às escolas a hipótese de escolher, em alternativa, o livro de Mário de Carvalho "Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde".
A ideia foi fortemente contestada, o ministro sublinhou que o processo estava a decorrer mas, entretanto, "o assunto parecia ter caído no esquecimento... mas não caiu", garantiu à Lusa Pedro Libero Ferreira.
O diretor da Escola Secundária José Saramago, em Mafra, é o único docente do ensino obrigatório entre as individualidades que assinaram a carta enviada no final do mês passado para Fernando Alexandre, a quem pedem que mantenha a obrigatoriedade de ler o Nobel da Literatura.
As individualidades que assinam a carta quiseram "exercer pressão para que o assunto volte à agenda do dia, já que se trata de um erro crasso", disse por seu turno o diretor da secundária Pedro Libero Ferreira.
"Faltam esclarecimentos do ministério que ainda não foram dados", acrescentou, temendo que a proposta da tutela avance tirando a "possibilidade de muitos alunos terminarem o 12.º ano sem nunca terem lido Saramago".
E esta é precisamente uma das mensagens da carta, que também estranha que o ministério faça questão de manter onze escritores obrigatórios no secundário, mas permita a saída de Saramago.
Os subscritores - como Bárbara Bulhosa, das Edições Tinta-da-china, ou Isabel Minhós Martins, da Planeta Tangerina - reconhecem que existem muitos autores de grande qualidade na literatura em língua portuguesa, mas defendem que Saramago ocupa "um lugar singular".
No entanto, tal como a proposta de AE está formulada, "um aluno pode concluir o 12.º ano sem nunca estudar José Saramago", refere a carta assinada também pelo encenador Tiago Rodrigues e pelos escritores João Tordo, Inês Pedrosa e Maria do Rosário Pedreira.
"Foi argumentado que ninguém pretende afastar Saramago e que o contrato de leitura permitiria manter a sua presença no percurso dos alunos. Mas essa garantia não está no texto oficial. O que o documento prevê é apenas uma possibilidade, não uma salvaguarda efetiva: as obras não estudadas podem ser integradas no contrato de leitura, mas não têm de o ser. E um currículo nacional não pode deixar uma referência desta dimensão dependente de interpretações, de contextos ou da boa vontade de cada opção local", defendem.
O primeiro subscritor da carta é o professor catedrático Carlos Reis que, em declarações à Lusa, critica a tutela por "afastar do espaço escolar" os dois romances de José Saramago que são "das mais admiráveis obras literárias de toda a literatura portuguesa".
Saramago é "um grande escritor, nos planos propriamente literário, temático, simbólico, histórico, alegórico e no da língua literária que ele renovou. Quem entende que tudo isto pode ser remetido para uma escolha de resultados duvidosos não sabe o que está a fazer. Ou então, sabe-o demasiadamente bem e usa a falácia das escolhas e dos projetos individuais de leitura como estratagema manhoso para uma intervenção ideológica no sistema de ensino", acusa o professor catedrático emérito.
Carlos Reis recordou as declarações do ministro no parlamento quando lembrou que também o escritor Mário de Carvalho "é comunista", considerando tratar-se de "uma confissão involuntária de preconceito ideológico virado do avesso".
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