page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Especialistas rejeitam condição de recursos na assistência pessoal para pessoas com deficiência

Orçamento do Estado para 2026 prevê que o acesso ao serviço fique dependente de condição de recursos.

21 de abril de 2026 às 13:45

Especialistas defenderam, esta terça-feira, que a assistência pessoal para a vida independente não deve depender dos rendimentos das pessoas com deficiência, sublinharam a importância dos apoios e propuseram novas formas de financiamento.

Vários representantes de organizações, investigadores e responsáveis técnicos estiveram esta terça-feira de manhã numa audição pública, organizada pelo grupo parlamentar do Partido Socialista (PS) sobre "Viver com autonomia: Estratégias para uma vida independente", na qual concordaram nas críticas à eventual aplicação de uma condição de recurso no acesso à assistência pessoal para pessoas com deficiência.

A condição de recursos é uma avaliação feita pela Segurança Social para determinar se a pessoa com deficiência ou o agregado familiar têm rendimentos e património suficientemente baixos para aceder a apoios sociais.

Por enquanto, o serviço de assistência pessoal no âmbito do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI) é gratuito e não depende dos rendimentos do beneficiário ou do seu agregado familiar, sendo financiado por fundos comunitários.

No entanto, o Orçamento do Estado para 2026 prevê que o acesso ao serviço fique dependente de condição de recursos.

Para as várias entidades representadas na audição pública, a aplicação de uma condição de recursos no acesso à assistência pessoal é incompatível com um direito fundamental consagrado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Para Teresa Guimarães, da HUMANITAS, limitar o acesso à assistência pessoal a critérios como a "vida ativa" ou o rendimento ignora a diversidade de projetos de vida das pessoas com deficiência, defendendo que qualquer pessoa que necessite deste apoio deve poder aceder-lhe para garantir autonomia.

A responsável destacou o impacto dos Centros de Apoio à Vida Independente (CAVI), sublinhando que permitem não só a inclusão das pessoas apoiadas, mas também a reativação de familiares no mercado de trabalho, dando como exemplo casos em que cuidadores retomaram a sua atividade profissional.

O coordenador da avaliação do Modelo de Apoio à Vida Independente (MAVI), e coordenador científico do Núcleo de Estudos da Deficiência do ISCTE, Luís Capucha, considerou que a assistência pessoal é essencial para garantir autonomia e que estes apoios permitem às pessoas participar plenamente na sociedade.

Sobre o financiamento, rejeitou a exclusão com base nos rendimentos, admitindo apenas soluções que não limitem o acesso, como eventuais contribuições progressivas em casos de rendimentos elevados.

Já João Varela, do CAVI de Faro, definiu a assistência pessoal como um "pilar fundamental" da vida independente, lembrando que muitas pessoas com deficiência vivem em situação de pobreza e enfrentam custos elevados associados à sua condição.

Neste contexto, considerou que sujeitar o acesso a condição de recursos "nivelaria por baixo" e limitaria a possibilidade de progressão e autonomia, defendendo que o apoio deve ser garantido sem encargos para os beneficiários, em linha com a convenção internacional.

Por sua vez, Sandra Marques, do Mecanismo Nacional de Monitorização da Convenção, reforçou que a vida independente é um direito e não uma opção política, que a concretização deste direito não pode ficar dependente de "contingências orçamentais", e defendeu garantias universais e maior articulação entre políticas públicas.

No plano do financiamento, José Luís Moreira, coordenador do Sistema de Indicadores de Políticas de Inclusão, considerou que o custo da medida é reduzido face ao orçamento da Segurança Social e aos benefícios gerados, nomeadamente a redução da institucionalização.

O especialista rejeitou igualmente a condição de recursos ou copagamentos, propondo alternativas como a afetação de uma pequena percentagem da receita da taxa de carbono, que permitiria não só manter como expandir significativamente o modelo.

Os intervenientes destacaram ainda que a assistência pessoal tem impactos profundos na vida das pessoas com deficiência, sendo descrita como uma medida que "deu vida" aos beneficiários e às suas famílias, ao permitir autonomia, participação e inclusão na comunidade.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8