Situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
A descida do nível da água do Rio Mondego, nas Docas de Coimbra, permitiu que os cinco estabelecimentos comerciais pudessem esta segunda-feira reabrir as suas portas, mas apenas para realizar limpezas e para averiguar o que ficou estragado.
"Não sabemos quando será possível reabrir ao público. Para já, andamos a limpar, a ver o que é possível fazer e quais são os prejuízos", sublinhou o responsável da Gelataria Maggio.
Em declarações à agência Lusa, Leonardo Cunha explicou que muito material esteve submerso e só nos próximos dias é possível perceber tudo o que ficou danificado.
"Tivemos 1,20 metros de água dentro do estabelecimento, temos as arcas provavelmente estragadas, o chão da esplanada todo levantado. Penso que serão milhares de euros de prejuízo, mas só depois teremos a verdadeira noção", lamentou.
A três meses de completar cinco anos sobre a sua abertura, esta gelataria, onde trabalham 12 pessoas, viu "a maior parte da sua maquinaria ficar em contacto com a água".
"Inclusive as máquinas de gelados. Vamos ver o que se pode fazer para seguir em frente", indicou, enquanto alguns dos funcionários procediam à remoção de lama e ramos de árvores caídos.
Para além da gelataria, nesta zona ribeirinha junto ao Parque Verde do Mondego, ficam localizados outros quatro estabelecimentos comerciais da área da restauração, cafés e bares, todos eles encerrados desde o dia 26 de janeiro, por causa do mau tempo e da cheia.
Três semanas depois, também o restaurante e bar Beers Coimbra desconhece quando poderá voltar a abrir ao público.
"Temos as madeiras todas rebentadas, será impossível reabrir já esta semana. Aliás, nem sabemos quando será possível", vincou Nuno Santos.
De acordo com o chefe de sala deste estabelecimento comercial, ainda há muito trabalho de limpeza para realizar e, só depois, é que todas as empresas com quem trabalham poderão passar no local.
"Têm de cá vir fazer a manutenção da máquina da cerveja, também da máquina de café. Ainda demora", esclareceu.
No bar e restaurante Docas Rio, Heloísa Daniel também trabalhava afincadamente nas limpezas que iniciou esta segunda-feira de manhã.
"Ficou tudo cheio de água e de lama. Ainda subimos algumas máquinas e mesas para o andar de cima, para evitar ainda mais estragos, mas, mesmo assim, isto ficou neste estado", referiu a funcionária, enquanto olhava para a lama que invadiu uma boa parte do interior.
Já na semana passada, o responsável por este estabelecimento comercial, onde trabalham 16 pessoas, contou que só nos dias seguintes a ser retirada toda a água e lama é que se poderá ter a real noção do prejuízo.
"Só com algum tempo é que se percebe a reação dos materiais a vários dias com água", concluiu.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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