Milhares manifestaram-se contra propinas e preocupados com a redução no número de ingressos no ensino superior. Ministro diz que propinas vão subir.
Cerca de 4 mil estudantes do Ensino Superior manifestaram-se esta terça-feira em Lisboa pelo fim das propinas, reforço da ação social e aumento do número de camas em residências, mas o ministro da Educação insistiu, após reunir-se com representantes dos alunos que “a propina deve ser atualizada segundo a taxa de inflação”. Fernando Alexandre aposta no reforço da ação social com o novo modelo proposto pelo governo e garante que haverá “mais 14 mil camas” em residências em setembro, embora admita que seja pouco. O Plano Nacional de Alojamento do Ensino Superior garante no total mais 18 mil camas, mas há cerca de 170 mil alunos deslocados.
José Machado, presidente da Associação Académica de Coimbra, até elogia “do ponto de vista conceptual” o novo modelo de ação social proposto, mas diz ser “um contrassenso justificar o aumento das propinas com o reforço da ação social”.
Luís Guedes, da Associação Académica da Universidade do Minho, lembra que a instituição “tem 16 mil estudantes deslocados e apenas 1400 camas em residências, o que obriga os alunos a pagar o alojamento”. Pedro Neto Monteiro, da Federação Académica de Lisboa, diz que “a propina dói mas a falta de alojamento mata”. Este ano letivo entraram 45 mil estudantes no superior, menos 5 mil do que no ano anterior, na maior redução de sempre.
"Há menos estudantes a entrar e os mais pobres são mais suscetíveis de não o conseguir ", disse Vasco Josué, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Mais de 50 estruturas estudantis de várias zonas do país participaram no protesto, exibindo faixas e cartazes onde se podia ler frases como “Ação social não existe em Portugal" e "bolsas sim propinas não!". O protesto percorreu as ruas de Lisboa até terminar junto à Assembleia da República.
Negociação com Chega e PS
Na reunião com os estudantes o ministro da Educação reiterou que está a tentar negociar com o PS e o Chega a revogação da lei nº 8/2025, aprovada pela oposição, que custa 400 milhões de euros aos cofres do Estado, para poder canalizar essa verba para reforço da ação social escolar.
1700 adiaram reforma
O ministro da Educação revelou ontem, em entrevista ao NOW no Dia do Estudante, que há 1700 professores que adiaram a reforma e continuam a dar aulas no básico e secundário, recebendo os 750 euros de suplemento introduzido pelo Governo. Fernando Alexandre assegurou que este ano há 4 mil novos docentes nas escolas.
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