Projeções sobre a evolução da população em Portugal ao longo do século XXI "apontam para uma clara tendência de redução dos residentes".
O problema de depressão demográfica que atinge a Europa e, em particular, Portugal, exige a transição para uma economia que "já pouco tem que ver com os paradigmas do modelo industrial" dos últimos séculos, segundo um estudo da CCP.
Este trabalho, sobre os efeitos da situação demográfica na economia, foi realizado pelo Grupo de Trabalho Demografia, no âmbito do Observatório Serviços, Competitividade Urbana e Coesão Territorial da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), e concluiu que é "necessário repensar e reconfigurar o nosso modelo económico, definindo com clareza a estratégia a seguir que deverá inserir-se num contexto global que vem sendo marcado pela 'revolução do digital'".
Ou seja, indicou, deverá passar por "uma transição com um caráter marcadamente disruptivo, para uma nova economia que já pouco tem que ver com os paradigmas do 'modelo industrial', que prevaleceu nas economias ditas avançadas ao longo dos dois séculos passados".
Para os autores, isso traduz-se numa "desmaterialização acentuada da atividade produtiva, com a criação de um valor imaterial, na produção seja de bens, seja de serviços".
De acordo com o estudo, as projeções sobre a evolução da população em Portugal ao longo do século XXI "apontam para uma clara tendência de redução dos residentes", com um "agravamento dos desequilíbrios demográficos entre regiões" e uma "redução continuada -- em termos quer absolutos, quer relativos - da população em idade ativa".
Ou seja, destacou, prevê-se que, "no longo prazo, os saldos naturais continuarão em terreno negativo, já não sendo possível compensá-los, inteiramente, com a entrada de imigrantes, cujos níveis atuais dificilmente se irão manter".
O estudo alertou ainda que "o maior peso dos idosos requer novas soluções por parte do sistema de segurança social", apelando para soluções que ajudem a complementar as pensões, no futuro.
Lembrou ainda que as novas tecnologias, incluindo a automação e a Inteligência Artificial (IA) estão, também, "a provocar uma acelerada mudança nas diferentes profissões", eliminando postos de trabalho e requerendo "novos perfis ao nível de qualificações e de competências".
"A realidade atual da nossa economia mostra, ainda, que tendo o nosso país ficado sempre distante de atingir um estádio de industrialização consolidado, a destruição de postos de trabalho será relativamente baixa", ressalvou, mas implicará "um grande esforço de requalificação e readaptação a novas formas de organização", que exige "uma aposta forte no ensino e na formação de recursos humanos".
Para os autores do estudo, a política do território afigura-se como "um vetor estruturante essencial", sobretudo no que diz respeito à mobilidade de pessoas, bens e serviços e o desenvolvimento e a qualidade de vida.
Esta questão deve estar refletida na política de habitação e na política de "urbanismo comercial", defendem, apontando o desenho, organização e planeamento das cidades.
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