Jovens identificam Portugal como "excessivamente centralizado".
Um estudo da Universidade do Porto (U.Porto) revela que 60% dos jovens qualificados apoia a regionalização, sente que o centralismo limita escolhas e oportunidades e identifica o Grande Porto como "oportunidade para um maior crescimento económico do país".
"Mais de 90% dos jovens qualificados defendem a descentralização administrativa e 65% consideram-na totalmente necessária. A regionalização político-administrativa é apoiada por 60% dos jovens e só 9% dos estudantes se opõe ao seu avanço", assinala o estudo do Centro de Estudos da Federação Académica do Porto (FAP), desenvolvido por docentes da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto, a que a Lusa teve, esta quarta-feira, acesso.
Para os inquiridos, "a centralização política e administrativa em Lisboa está a moldar negativamente e a limitar a geografia das oportunidades de estudo, trabalho e realização pessoal das novas gerações quanto ao lugar onde pretendem construir os seus projetos de vida".
Os jovens identificam Portugal como "excessivamente centralizado", com o índice de perceção de centralização a atingir uma pontuação de 4,11 em 5, assinala o estudo que é apresentado, esta quarta-feira, às 17h00 no Museu do Carro Elétrico, no âmbito do 37.º aniversário da FAP.
O inquérito "Centralismo, Oportunidades e Mobilidade dos Jovens Portugueses Qualificados: perceções e realidades" teve por base uma amostra de 374 respostas de estudantes inscritos em instituições de Ensino Superior da Academia do Porto no ano letivo de 2025/2026, bem como recentes diplomados.
Para os três docentes da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto responsáveis pela investigação, "mais do que promover a mobilidade, um dos principais desafios das políticas públicas consiste em garantir que cada jovem possa escolher livremente onde pretende construir o seu futuro, encontrando em qualquer região do país oportunidades compatíveis com as suas qualificações e aspirações".
"É essa, em última análise, a principal ambição de uma estratégia de desenvolvimento territorial verdadeiramente equilibrada", defendem.
É neste contexto que "o estudo evidencia que o reforço do papel do Porto e da sua aglomeração metropolitana deve assumir particular relevância numa estratégia nacional de desenvolvimento territorial mais equilibrado".
"Pela massa crítica de população, pela concentração de instituições de ensino superior, pela capacidade científica, tecnológica e empresarial instalada e pela sua crescente capacidade de atração de talento, o Porto encontra-se numa posição privilegiada para se afirmar como o principal polo nacional alternativo de criação de oportunidades qualificadas", sustentam.
Os investigadores observam que "o fortalecimento deste ecossistema não deve ser entendido como uma política de afirmação regional, mas como uma componente de uma estratégia nacional destinada a reduzir a excessiva concentração territorial, reforçar a competitividade do país e ampliar as possibilidades de escolha dos jovens quanto ao território onde pretendem viver, trabalhar e desenvolver os seus projetos de vida".
O estudo identifica uma contradição: "cerca de 80% dos jovens manifesta uma ligação forte ou muito forte ao território onde vive ou estuda, mas apenas metade planeia permanecer na sua região de residência nos próximos cinco anos".
Os investigadores consideram que o fortalecimento da capacidade económica e institucional" do Grande Porto "poderá trazer benefícios não apenas para o Norte, mas para o equilíbrio territorial do país, ao aumentar a retenção de jovens provenientes de um conjunto mais alargado de regiões".
"Em sentido idêntico, o fortalecimento de outros polos e cidades intermédias, a exemplo do que sucede em outros países europeus, deverá reforçar a concretização efetiva do 'direito a ficar' e assegurar uma maior coesão", acrescentam.
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