Região continua a ver-se a braços com as graves consequências provocadas pela depressão Kristin.
Do combustível às compras no supermercado, as populações entre Monte Real e Vieira de Leiria, enfrentam agora, além da falta de eletricidade, água e comunicações, longas filas para adquirir bens essenciais.
Na pequena localidade de Carvide, na estrada que liga Monte Real a Vieira de Leiria, a fila para abastecimento de combustível somava esta quinta-feira cerca de dois quilómetros de carros.
"As bombas estão praticamente todas fechadas e, como esta abriu, temos que estar na fila porque toda a gente quer abastecer", disse à agência Lusa um dos condutores que aguardava a sua vez de abastecer.
A longa fila, ordenada por militares do GNR, explica-se pelo facto de, na sequência da passagem da depressão Kristin, na madrugada de quarta-feira, a maioria dos postos de abastecimento se encontrarem encerrados devido à falta de eletricidade.
A procura de combustível em vários concelhos do distrito de Leiria tinha, já durante a manhã, feito alguns condutores optarem por se deslocar ao concelho das Caldas da Rainha para atestar o depósito e, nalguns casos, até "alguns garrafões para ficarem de reserva", disse explicou um morador em Maceira.
Sem eletricidade, sem água e sem comunicações, muitos moradores da vila de Vieira de Leiria queixavam-se que, mesmo tendo aberto duas superfícies comerciais, "o pagamento só pode ser feito em dinheiro e os multibancos, sem luz, não trabalham".
Por isso, muitos optaram por se deslocar à Marinha Grande, concelho onde esta manhã dezenas de pessoas faziam fila para entrar no supermercado, onde as entradas estavam a ser racionadas por um segurança.
À saída, na maior parte dos casos, os clientes traziam garrafões de água, já que, quer no concelho de Leiria quer no da Marinha Grande, a falta de eletricidade refletiu também na impossibilidade de as autarquias assegurarem o abastecimento de água.
Na localidade de Monte Real, essa carência estava esta quinta-feira a ser suprida pelo corpo de bombeiros da Base Aérea, que através de uma ligação aos depósitos da base faziam o abastecimento das habitações dos militares. Porém, para o resto da população, a saga das filas mantinha-se, ou para comprar água ou para encher garrafões em fontes.
Na localidade, onde centenas de pinheiros foram arrancados ou partidos pelo vento, são às dezenas os troncos de árvore ou postes de eletricidade tombados para estradas, obrigando a que em diversos pontos a circulação tenha que ser alternada, gerando também algumas filas.
A depressão que danificou muitas centenas de telhados, desde a igreja a escolas primárias, empresas e casas particulares, até gerou filas para comprar telhas numa empresa de construção na localidade de Amor, no concelho de Leiria.
Num cenário de destruição que se estende por várias localidades, as filas são, por estes dias, "um mal menor".
As populações queixa-se mesmo é de estarem "isoladas" num país que "não faz uma ideia real da situação que por aqui se vive", disse à Lusa António Pedrosa, de 70 anos, lamentando que, por outro lado, na terra também não se saiba "como está a situação noutros locais, porque não têm televisão, nem notícias".
Da fila do supermercado à fila do posto de abastecimento, foram feitos apelos à reportagem da Lusa: "Falem de nós, nas notícias, nas redes sociais, porque a tempestade deixou-nos sós, sem podermos sequer avisar os familiares de que estamos vivos".
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