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Falta de iodo pode ser fatal

Situada na base do pescoço, a tiróide é fundamental para o controlo do metabolismo, crescimento e desenvolvimento do organismo.

20 de fevereiro de 2011 às 00:30

As hormonas segregadas por esta glândula – as hormonas tiroideias – contribuem para a regulação da temperatura corporal, frequência cardíaca, pressão arterial, funcionamento intestinal, controlo do peso, estados de humor, entre outras funções. Através do sangue, são transportadas para todas as células do corpo, alterando o metabolismo e conduzindo a problemas de saúde. As patologias da tiróide afectam mais de um milhão de portugueses, sobretudo mulheres.

O mau funcionamento da tiróide está relacionado com a ingestão ou carência de alimentos ricos em iodo. A genética e o stress têm também influência. Os principais distúrbios são o hipertiroidismo, quando há produção excessiva de hormonas, e o hipotiroidismo, que resulta de uma actividade da tiróide inferior ao normal. Podem provocar vários sintomas, com diferentes graus de gravidade. No primeiro caso, os mais comuns são ansiedade e irritabilidade, cansaço, ritmo cardíaco acelerado e emagrecimento, por vezes acentuado. No segundo caso, o peso aumenta, a voz fica mais rouca, devido ao inchaço das cordas vocais, os músculos ficam mais rígidos e o ritmo cardíaco mais lento. Há ainda arrepios e sensação de frio, a pele fica mais seca e os cabelos quebradiços. No grupo das doenças da tiróide incluem-se nódulos no interior da glândula, que podem ser benignos ou malignos. A maioria das situações não tem sintomas, sendo detectada por acaso pelo doente ou pelo médico.

O diagnóstico precoce é essencial. "As pessoas estão mais sensibilizadas para as patologias da tiróide, têm uma maior consciência dos seus riscos", explica o endocrinologista Edward Limbert, que apela à realização de análises ao sangue, indispensáveis à avaliação do funcionamento da tiróide. "As doenças da tiróide obrigam a uma vigilância permanente, os doentes são constantemente avaliados para adaptar a medicação" salienta o especialista. Os doentes, garante Edward Limbert, podem ter uma vida normal.

TRATAMENTO DEPENDE DA PATOLOGIA

O tratamento a patologias da tiróide pode durar meses ou vários anos, estando dependente do tipo de patologia. No caso do hipertiroidismo, o objectivo é bloquear a produção excessiva de hormonas da tiróide. No hipotiroidismo, através de tratamento hormonal devolve--se ao organismo a quantidade de hormonas que deixou de produzir. Para curar os nódulos benignos recorre-se a medicamentos para reduzir o seu tamanho. Quando é maligno, opta-se pela cirurgia, para remoção parcial ou total da glândula. Os pacientes devem conhecer os efeitos secundários dos remédios, bem como registar a evolução do seu peso. As grávidas têm uma atenção especial. Os materiais radioactivos, vulgarmente usados nos exames de estudo ou no tratamento, nunca devem ser utilizados. Também a data da cirurgia e os medicamentos são especiais durante a gravidez.

DISCURSO DIRECTO

"LACUNA A NÍVEL DA FORMAÇÃO": João Jácome de Castro, Grupo Estudos Tiróide SPEDM

Correio da Manhã – A sociedade portuguesa e a comunidade médica estão informadas para as doenças da tiróide?

João Jácome de Castro – A comunidade médica está mais atenta a estas patologias, o diagnóstico é mais precoce, o que reduz a mortalidade. Há uma lacuna ao nível da formação em Endocrinologia nas escolas médicas. A formação em saúde sobre as doenças da tiróide é muito reduzida, o que é preocupante, visto que se trata de doenças muito frequentes.

– Há falta de especialistas?

– Há cerca de 140, o que é pouco.

A Endocrinologia precisa que se trabalhe em equipa. Não faz sentido que haja apenas um especialista em cada unidade hospitalar, tem que haver no mínimo três.

O MEU CASO: RONALDO

"TENHO DORES ATÉ A SUBIR AS ESCADAS"

Profundamente emocionado. Foi assim que o ‘Fenómeno’ Ronaldo anunciou o final da sua carreira futebolística, após 18 anos de carreira e muitos títulos e prémios conquistados. Apesar de querer continuar a jogar, o brasileiro justificou a decisão com os problemas decorrentes de oito cirurgias, sucessivas lesões e do hipotiroidismo, doença que o acompanha há cerca de quatro anos e lhe provoca peso excessivo e fadiga muscular. "Perdi para o meu corpo. Nos últimos tempos as dores consumiam-me, tenho dores até a subir as escadas", justificou.

Na hora da despedida, em São Paulo, o craque brasileiro agradeceu à família, aos clubes onde jogou, aos jogadores que com ele partilharam as quatro linhas e até aos que o criticaram: "Obrigaram-me a melhorar." Os dois filhos, Ronald e Alex, acompanharam-no naquele que terá sido o dia mais difícil da vida deste jogador de 34 anos.

As reacções à notícia do final da carreira de Ronaldo Luís Nazário de Lima, mais conhecido por Ronaldo, foram imediatas. Através das redes sociais, como o Twitter e o Facebook, colegas, adversários ou simplesmente admiradores escreveram mensagens de apoio a um dos melhores avançados da história do futebol.

No futuro, Ronaldo vai continuar ligado ao futebol. Por um lado, como embaixador do Corinthians, o último clube que defendeu. E a criação de um instituto social – Criando Fenómenos – faz igualmente parte das ambições de Ronaldo. Em Junho ou Julho o brasileiro vai reunir amigos num jogo de despedida.

PERFIL

Ronaldo Nazário de Lima, mais conhecido como‘Fenómeno’, nasceu no Rio de Janeiro. Aos 34 anos foi obrigado a terminar a carreira futebolística devido ao hipotiroidismo. Foi duas vezes campeão do Mundo pelo Brasil e conquistou vários títulos de clubes.

FALTA DE IODO PROVOCA DÉFICE DE INTELIGÊNCIA

"Há uma carência de iodo generalizada nas grávidas e crianças." O alerta é do endocrinologista Edward Limbert, coordenador de um estudo que procurou conhecer a ingestão de iodo a nível nacional, através da avaliação da quantidade deste nutriente na urina de grávidas e crianças dos 7 aos 12 anos. A falta de iodo nas crianças pode conduzir a défice de inteligência.

A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 13% da população mundial esteja afectada por doenças causadas pela falta de iodo, havendo outros 30% em risco. Os dados são preocupantes, e exigem mais atenção por parte dos especialistas. A Direcção-Geral de Saúde salienta a importância da realização de um inquérito alimentar nacional e uma avaliação da composição nutricional dos alimentos.

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