Ambientalistas alertam ainda para o risco de setor "ficar sem pessoas para o executar antes do final da década".
A associação ambientalista Zero alertou esta sexta-feira para a falta de uma estratégia de fixação de jovens agricultores, que deixam a atividade a um "ritmo alarmante", comprometendo-se assim a existência de uma paisagem resiliente a incêndios.
A propósito do Dia Internacional das Florestas, que se assinala no sábado, a associação alerta, em comunicado, que a falta de incentivos públicos "compromete o mosaico agroflorestal que previna fogos rurais".
Segundo a Zero, o país "continua sem ter uma estratégia de fixação de jovens que possa não só reativar a gestão do mosaico agroflorestal nas vastas áreas que já caíram no abandono", mas também "continuar a financiar um serviço ambiental que corre o risco de ficar sem pessoas para o executar antes do final da década".
O Dia Internacional das Florestas, proclamado pela ONU em 2012, procura encorajar os países a esforçarem-se na valorização da floresta, sendo o tema deste ano "Florestas e Economia". Em Portugal haverá iniciativas espalhadas por todo o país.
O tema deste ano, indica a ONU, assinala o papel da floresta na promoção da prosperidade económica, afirmando que vai muito além dos rendimentos e dos empregos provenientes da produção florestal e do comércio de matérias-primas e alimentos renováveis.
As florestas também sustentam a agricultura familiar e comunitária, aumentam a produtividade agrícola e protegem as bacias hidrográficas saudáveis, diz a ONU.
Assinalando a efeméride, a Zero opta por falar da defesa da floresta contra incêndios através dos pastores, e recorda a recente publicação de uma portaria sobre pastoreio intensivo, que compreende um apoio financeiro importante para os produtores pecuários "que resistem nos territórios de risco".
No comunicado, a Zero analisa a portaria de apoio ao pastoreio, de 22,5 milhões de euros, entende a questão de ter de haver um número mínimo de cabeças de gado porque só assim há uma redução efetiva de carga de combustível (e reduzir a possibilidade de incêndios), mas acrescenta que um terço das freguesias vulneráveis fica excluído do apoio.
Os dados divulgados no comunicado indicam que em muitas freguesias o pastoreio é residual ou inexistente, seja porque não existem animais (5,6% das freguesias) ou porque são tão poucos que já não são eficientes no controlo da vegetação (30% das freguesias). Por isso o programa é um reforço para os produtores pecuários sobreviventes mas não de incremento de outros.
Na análise dos dados oficiais, a Zero aponta que apesar de os pagamentos totais aos agricultores nas 1.279 freguesias vulneráveis terem aumentado em 285 milhões de euros entre 2020 e 2023 (+22%), "a gestão ativa do território está a desaparecer".
Segundo a Zero, em apenas três anos "desapareceram" das estatísticas de gestão ativa cerca de 800 mil hectares de áreas agrícolas declaradas, "sinalizando aquilo que parece ser um abandono massivo da atividade nos territórios vulneráveis".
Em 2020 havia 14 agricultores seniores (mais de 65 anos) por cada jovem (menos de 35 anos) com atividade agrícola nas freguesias vulneráveis, em 2023 eram 19 seniores por cada jovem.
A Zero sugere outra forma de apoiar e de criar condições para atrair os mais jovens para a produção pecuária intensiva em territórios vulneráveis, e fixar e dignificar a vida dos últimos 2.542 pastores jovens que ainda resistem.
O setor das florestas gera empregos para dezenas de milhões de pessoas e os produtos florestais são usados por biliões. Além dos serviços de ecossistema que providenciam, as florestas são fundamentais para a produção de água potável, para a regulação do clima, para a qualidade do solo, para o armazenamento de carbono, sem falar da energia, do ecoturismo ou da saúde, diz a ONU na sua página.
O Dia Internacional das Florestas é também o Dia Mundial da Árvore. Em Portugal comemorava-se neste dia, durante décadas, o Dia da Árvore, coincidindo com o início da primavera. Este ano a primavera começa esta sexta-feira.
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