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Faltam meios para recolher dádivas de sangue, alerta Federação de Dadores

FEPODABES aponta que não há falta de dádivas, mas sim de capacidade para as recolher.

08 de junho de 2026 às 17:02

A Federação de Dadores de Sangue queixou-se esta segunda-feira de falta de meios para a recolha de dádivas, manifestando "profunda preocupação" com a situação das reservas, face a "sucessivos cancelamentos" de colheitas previamente planeadas e aprovadas.

A posição da Federação Portuguesa de Dadores Benévelos de Sangue (FEPODABES) surgiu em vésperas do Dia Mundial do Dador de Sangue, que se assinala a 14 de junho, uma data que, defendeu, deve servir para "uma reflexão séria" sobre o estado atual do sistema nacional de sangue e a necessidade de garantir uma resposta eficaz às necessidades dos doentes que dependem diariamente de transfusões sanguíneas.

De acordo com a FEPODABES, não há falta de dádivas, mas sim de capacidade para as recolher.

"A situação atualmente vivida, em particular no Centro de Sangue e da Transplantação de Lisboa, atingiu um nível de gravidade que exige uma avaliação profunda, o apuramento de responsabilidades e a adoção urgente de medidas corretivas", alegou a federação, em comunicado.

Segundo esta estrutura, têm sido canceladas de forma recorrente sessões de colheita de sangue, o que compromete a mobilização dos voluntários e põe em causa "os esforços realizados para assegurar reservas adequadas de sangue para os hospitais portugueses".

A associação garantiu que tem cumprido integralmente a missão, promovendo a dádiva benévola de sangue, organizando campanhas de recolha e mobilizando milhares de cidadãos em todo o país, mas este esforço "perde eficácia quando as entidades responsáveis não conseguem garantir os recursos humanos, técnicos e operacionais indispensáveis à concretização das ações previamente programadas".

A Federação sublinhou igualmente que em vários departamentos dos centros de sangue e do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), se tem evidenciado "uma insuficiente capacidade de resposta" às necessidades das associações e dos dadores, "comprometendo a articulação fundamental para o sucesso das campanhas de recolha".

A FEPODABES rejeitou a ideia de que a atual situação resulte da falta de solidariedade dos portugueses ou da ausência de novos dadores.

O problema, disse, não é a falta de disponibilidade dos dadores para ajudar, mas sim "a incapacidade do sistema em dar resposta às solicitações de colheitas de sangue e em garantir os meios humanos e operacionais necessários para concretizar as ações planeadas".

"Quando colheitas previamente aprovadas são sucessivamente canceladas, quando associações e dadores se organizam e acabam por não poder contribuir, está-se a desperdiçar um enorme potencial de solidariedade. Não faltam dadores. Não falta vontade de ajudar. O que falta é capacidade de resposta por parte das estruturas responsáveis pela recolha de sangue", garantiu a federação.

A estrutura que representa as associações de dadores considerou, assim, urgente reforçar os recursos humanos, melhorar a capacidade operacional e assegurar o cumprimento dos planeamentos aprovados.

A Lusa tentou contactar a presidente do IPST, mas não obteve resposta até ao momento.

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