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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Feira do Livro do Porto ultrapassa 220 mil visitantes em 2024

Rui Moreira destaca aumento "impressionante" ano após ano.

09 de setembro de 2024 às 07:43

A edição de 2024 da Feira do Livro do Porto, que terminou no domingo, aumentou em 18% o número de visitantes, em linha com o ocorrido em 2023, superando as 220 mil pessoas, anunciou a Câmara Municipal.

No total, e face aos 188 869 contabilizados em 2023, o número de visitantes cresceu para 222.958, assinalou a autarquia, que organiza o evento.

Em declarações à Lusa, o presidente da câmara, Rui Moreira, interpretou o facto de o certame continuar a aumentar de ano para ano o número de visitantes pelo facto de a autarquia "parecer saber interpretar o que as pessoas querem".

Reportando-se aos números contabilizados, o autarca considerou que o aumento verificado "é muito impressionante na medida em que no ano passado o [crescimento] tinha sido muito bem-sucedido [20%]".

"Fui lá umas seis ou sete vezes e percebi que as pessoas estavam satisfeitas, acho que as acessibilidades dos 'stands' foi uma coisa de que as pessoas gostaram muito. Bem sei que este ano não tivemos chuva, felizmente, o que é uma coisa estranha porque a feira do livro tem essa tradição", relatou Rui Moreira do evento que este ano teve 130 'stands' de livreiros, alfarrabistas e editores nacionais e estrangeiros e centenas de atividades programadas.

Moreira prosseguiu: "Outra coisa que as pessoas gostaram muito foram as atividades para as crianças, ou seja, parece que conseguimos equilibrar a feira propriamente dita -- em que o que queremos é que quem lá vá venda livros -, com as atividades culturais que depois desenvolvemos e as atividades para as crianças, que atraem um público muito importante".

Enfatizando que "foi bom perceber" que "mais que uma feira do livro, o Porto tem um festival literário para todos os públicos", o autarca afirma-se descansado quanto ao futuro da feira neste modelo, apesar de o seu mandato na autarquia terminar no final de 2025.

"No próximo ano, o modelo da feira do livro ainda será da minha responsabilidade, portanto será igual [...], mas depois quem vier terá de decidir se continua a organizar sozinho ou com a APEL [Associação Portuguesa de Editores e Livreiros]. Aliás, temos tido conversas com os novos administradores da APEL, que veem interesse em reatar uma relação com a câmara que eles interromperam lá atrás", revelou.

E prosseguiu: "O que me parece importante é que já se criou uma dinâmica em que ninguém vai permitir que não haja feira do livro e isso tranquiliza-me".

Sobre a existência de modelos alternativos, Rui Moreira não vê impedimento em que o certame volte a ter a APEL como parceira: "Não há nenhum problema".

"Quem vier depois de mim terá um ano para pensar o que quer fazer e com certeza que fará as suas escolhas. Tenho a certeza que não fará igual, seria péssimo que fizesse igual, é bom que faça diferente porque a vida das cidades é feita dessas diferenças", concluiu Rui Moreira.

O executivo liderado por Moreira (eleito pela primeira vez para o cargo em 2013) assumiu a organização da Feira do Livro do Porto em 2014, devido a um diferendo com a APEL quanto aos custos da iniciativa, levando à criação do modelo que se mantém até hoje.

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