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Feirantes temem não resistir à crise

A Festa de Corroios, no Seixal, uma das maiores da Península de Setúbal, cativa, até domingo (2 de Setembro), milhares de visitantes à procura de diversão e das novidades que as dezenas de bancas espalhadas pelo recinto convidam a comprar. Lingerie que se quer sexy e rendada figura lado a lado com atoalhados coloridos e imagens de Santo António com o menino ao colo. O comércio que dá vida à 37ª edição da festa é feito de receios e desalento face ao futuro.

29 de agosto de 2012 às 01:00

"Este ano só faço esta festa. Antigamente fazia outras, pelo País, mas deixou de compensar. Olhando para os mercados que faço aos fins-de-semana vejo que as pessoas não compram, porque não podem gastar dinheiro. Nunca vi as pessoas olharem tanto para a carteira para contar os tostões. Este ano estou com muito medo", confessa Mário Fernandes, 53 anos, que comercializa artigos de cozinha e outras utilidades há 24 anos. Pagou 850 euros para ter a ‘tenda’ montada em Corroios durante duas semanas.

Para Fernando Pinto, dono da banca que anuncia a letras azuis e gordas ‘cozinhas por medida’, esta poderá ser a sua última feira. "Dizem que temos de ser optimistas, mas o facto é que tenho receio. As pessoas não compram. As vendas têm caído muito. Já fechámos a loja que tínhamos aqui na freguesia. Esta será a nossa última feira. Não há como continuar", lamenta o comerciante, de 42 anos.

No lado oposto da ‘barricada’ da crise está a rulote das bifanas e cachorros quentes que Maria Napier gere com a destreza dos seus quinze anos, enquanto a mãe prepara as delícias do cardápio. "Este ano estamos na expectativa. Pagámos dois mil euros pelo espaço, mais cem euros do que no ano passado, mas em dois ou três dias fazemos esse valor e depois conseguimos pagar as despesas e dividir os lucros", garante.

FACTURA OBRIGATÓRIA A PARTIR DE 2013 GERA CONTESTAÇÃO

A partir de Janeiro de 2013 será obrigatória a emissão de facturas em todas as transacções comerciais, mesmo aquelas que são efectuadas em feiras e mercados. A medida não reúne consenso entre os comerciantes.

"Sempre passei factura, mas acho que com esta nova lei vai ser complicado. As pessoas que vêm às feiras não estão habituadas a isso. Pode gerar confusão", alerta Rosa Bernardo, vendedora de sapatos, da Torre da Marinha (Seixal). Para Miguel Santos, feirante de 32 anos e natural do Montijo, a nova imposição irá agravar a crise no sector. "Esta medida só vem complicar ainda mais o negócio, que já está moribundo. Já temos uma margem mínima de lucro. Assim, muita gente vai desistir das feiras", vaticina.

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