Esclarecimento da empresa surge após utentes terem lançado uma petição pela melhoria do serviço.
A Fertagus esclareceu esta sexta-feira que os constrangimentos no serviço resultam de vários fatores, entres os quais, o crescimento acelerado da procura, limitações da infraestrutura ferroviária gerida pela Infraestruturas de Portugal e a ausência de material circulante.
Num esclarecimento divulgado esta sexta-feira, a Fertagus adianta que opera diariamente com 17 das suas 18 unidades quádruplas elétricas, não dispondo de material circulante adicional para reforço da oferta.
O esclarecimento da empresa surge após se terem registado vários constrangimentos desde o início do ano e de os utentes terem lançado uma petição pela melhoria do serviço.
"A empresa já apresentou soluções para o reforço de oferta, nas quais se encontra a trabalhar, aguardando a necessária revisão do enquadramento contratual por parte Estado Português", refere a empresa concessionária da travessia ferroviária do Tejo em comunicado enviado à agência Lusa.
A Fertagus acrescenta que tem em curso trabalhos de adaptação técnica de duas carruagens adquiridas à Renfe, no âmbito de um projeto para a introdução de uma quinta carruagem nas atuais composições, mas que "o processo é complexo e pode demorar cerca de um ano e meio até à entrada em operação".
A demora, justifica, prende-se "com o tempo necessário para a adaptação das carruagens e a sua homologação pelas entidades competentes".
A empresa refere ainda que, além do crescimento da procura, as limitações da infraestrutura ferroviária e a ausência de material circulante, o desempenho e a fiabilidade do serviço de outros operadores de transporte da Área Metropolitana de Lisboa (AML) também condicionam o desempenho da operação da Fertagus.
Quanto à procura do serviço da Fertagus, a empresa explica que continua a registar um crescimento "muito significativo", tendo tido um aumento de 5% em 2025 e de cerca de 50% comparando com o ano de 2018.
O crescimento da procura é justificado pela empresa com a introdução do tarifário Navegante, em 2019, e com o aumento da população residente na Margem Sul.
Esta procura pelo serviço está muito concentrada nos períodos de ponta da manhã e da tarde, indica a empresa, acrescentando que "cerca de metade dos clientes viaja num intervalo de apenas duas horas e meia, o que gera picos de procura muito intensos e localizados".
No ano passado, a Fertagus atingiu o recorde de 31,8 milhões de passageiros transportados.
Apesar de a maioria dos comboios cumprir o horário, a empresa denunciou que "tem-se verificado um conjunto alargado de constrangimentos na infraestrutura ferroviária da responsabilidade da IP -- Infraestruturas de Portugal, que condicionam fortemente o cumprimento dos horários programados e criam dificuldades acrescidas de sobrelotação nos comboios".
Em concreto, a empresa diz que "cerca de 38,8% dos atrasos registados foram provocados por afrouxamentos na infraestrutura ferroviária, sendo na ordem dos 80% a percentagem relativa às causas não imputáveis à Fertagus".
No que respeita à comunicação com os passageiros, a Fertagus adianta que tem mantido os seus canais de comunicação através de painéis informativos e mensagens sonoras no interior dos comboios, redes sociais, linhas de apoio e equipas no terreno.
Além disso, está em articulação permanente com a IP e com outros operadores da Margem Sul para mitigar o impacto das ocorrências sempre que possível.
"A Fertagus reafirma o seu compromisso com a qualidade do serviço prestado e considera que a resposta aos desafios da mobilidade ferroviária na Margem Sul exige uma abordagem coordenada, envolvendo o Estado, o gestor da infraestrutura, os municípios e os restantes operadores de transporte, com um reforço claro do investimento público na ferrovia", acrescenta a empresa.
A Fertagus é a empresa que detém a concessão do transporte ferroviário de passageiros no denominado eixo norte-sul, que inclui a travessia da Ponte 25 de Abril, ligando os distritos de Lisboa e Setúbal, com 14 estações.
Dez estações situam-se na margem sul do Tejo (Setúbal, Palmela, Venda do Alcaide, Pinhal Novo, Penalva, Coina, Fogueteiro, Foros de Amora, Corroios e Pragal) e quatro na margem norte (Campolide, Sete Rios, Entrecampos e Roma-Areeiro).
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