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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Festival de arte urbana Push Porto quer circuito de turismo alternativo

Intervenção de artistas nacionais e internacionais em várias paredes da cidade.

28 de agosto de 2014 às 08:26

O festival Push Porto, que se realiza pela primeira vez e vai incluir a intervenção de artistas nacionais e internacionais em várias paredes da cidade, espera que o Porto entre nos circuitos de turismo alternativos, disse a organização.

O evento vai incluir também oficinas e palestras em diversos pontos da cidade entre 13 e 21 de setembro, contando com o apoio da Câmara Municipal do Porto.

Em declarações à Lusa, um dos organizadores, André Carvalho, disse que a expectativa é que dentro de dois ou três anos exista "um turismo alternativo na cidade" e que a própria população comece a olhar de outra forma para a comunidade artística, de forma a tornar o Porto num "enorme foco de cultura".

Sobre o facto de o anterior presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, se ter oposto várias vezes à pintura de 'graffitis' na cidade, André Carvalho lamentou que, quando se quer hoje levar alguém a conhecer o trabalho de vários artistas portuenses no Porto se esteja reduzido a "meia dúzia" de pinturas, ainda que esses criativos tenham estado muito ativos noutros locais, até no estrangeiro.

"Tudo o que ia sendo criado era apagado e às vezes mais rápido do que o próprio lixo visual", afirmou o elemento da Circus, entidade responsável pela organização do Push Porto.

A Circus esteve por trás da pintura de um mural de grandes dimensões numa esquina da rua Miguel Bombarda, da autoria de Mesk, Fedor e Mots, num edifício cujo proprietário, disse André Carvalho, teve de pintar a parede oito vezes no espaço de um ano até ao momento em que o mural foi criado. Desde então nunca mais foi sujo.

O financiamento para o Push Porto advém de fontes como a angariação de fundos digital via 'crowdfunding', a Câmara Municipal do Porto e "a boa vontade de muita gente", incluindo empresas que contribuíram com diversos elementos para a realização do evento, desde andaimes a viagens e alojamento de artistas.

André Carvalho dá o exemplo de pessoas que entraram em contacto com a Circus dizendo não saber utilizar o meio de pagamento virtual Paypal e se poderiam entregar uma quantia como dois euros presencialmente.

"O Porto é muito especial nesse aspeto", referiu André Carvalho, em relação à solidariedade demonstrada pelas pessoas.

No entanto, o festival conta com 10 paredes pela cidade legalizadas para pintura, mas só tem orçamento para a intervenção artística em seis.

O Push Porto, em comunicado, anunciou que iria receber artistas como o Coletivo Rua (Oker, Draw, Fedor e Alma), que vai colaborar com o húngaro Breakone, os alemães Vidam e Look do coletivo The Weird que vão pintar a fachada lateral do edifício PINC da UPTEC, Mr. Dheo, entre outros.

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