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Galáxias combateram como os cavaleiros

Astrónomos observaram colisão entre duas galáxias a partir do Chile. A que foi ‘derrotada’ perdeu capacidade para formar estrelas.

02 de junho de 2025 às 01:30

Uma colisão cósmica entre duas galáxias nas profundezas do Universo distante foi observada pela primeira vez por astrónomos a partir do Chile. Uma das galáxias “perfurou” a outra com radiação intensa, reduzindo a sua capacidade de formar novas estrelas. A luz da colisão cósmica demorou 11 mil milhões de anos a chegar à Terra - ou seja, o fenómeno agora observado aconteceu quando o Universo tinha 18% da sua idade atual estimada. De acordo com o Observatório Europeu do Sul (ESO) - do qual faz parte Portugal - os resultados, publicados na revista científica Nature, indicam que os astrónomos observaram duas galáxias a avançarem uma em direção à outra, repetidamente, a velocidades de 500 quilómetros por segundo, até colidirem.

Segundo o ESO, as galáxias avançam e recuam, “preparando-se para outra ronda do mesmo fenómeno, um pouco como faziam os cavaleiros numa justa medieval”. “É por isso que chamamos a este sistema a ‘justa cósmica’”, explica Pasquier Noterdaeme, co-líder do estudo e investigador do Institut d’Astrophysique de Paris, em França, e do Laboratório Franco-Chileno de Astronomia, citado pelo ESO. Uma das galáxias usa um quasar para “perfurar” a outra galáxia com radiação. Os quasares são núcleos brilhantes de algumas galáxias distantes que são alimentados por buracos negros supermassivos, libertando enormes quantidades de radiação. A radiação libertada pelo quasar “rompe” as nuvens de gás e poeira da galáxia atingida, deixando para trás apenas as regiões mais pequenas e densas. O ESO adianta que estas regiões “são provavelmente demasiado pequenas” para serem capazes de formar novas estrelas.

Ciência a partir do deserto

As descobertas foram feitas com o telescópio VLT e o radiotelescópio ALMA, no deserto de Atacama, no Chile. Os quatro telescópios principais do VLT têm 8,2 metros de diâmetro e trabalham individualmente. O ALMA é composto por 66 antenas de alta precisão.

Galáxias avançaram várias vezes uma contra a outra, a 500 kms por segundo

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