Tenente-general Rui Veloso diz estar a tentar melhorar algumas das lacunas detetadas no ano passado.
O comandante-geral da GNR defendeu este domingo a utilização de helicópteros para fazer vigilância nos dias de risco de incêndio elevado, avançando que a corporação insistiu este ano com o pedido depois de detetada a falha em 2025.
Na sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em setembro de 2023, o tenente-general Rui Veloso disse à agência Lusa que a Guarda Nacional Republicana, no âmbito das várias valências na prevenção e combate aos incêndios rurais, está a tentar melhorar algumas das lacunas detetadas no ano passado.
Uma dessas melhorias passa, segundo o comandante-geral da GNR, pelo patrulhamento e pela tentativa de utilizar helicópteros da Força Aérea "para fazer vigilância através do ar".
"É muito mais fácil controlar determinadas zonas a partir do ar do que em terra. O ano passado não foi possível fazer essa vigilância através dos helicópteros da Força Aérea, mas este ano voltamos a insistir nessa situação e esperamos conseguir os helicópteros", disse, afirmando que foi uma lição apreendida do ano passado.
Rui Veloso acrescentou que "ainda não está decidido" se vai ser possível fazer aquela vigilância com helicópteros, sendo uma decisão que depende da Força Aérea e Proteção Civil.
Além do patrulhamento dos espaços rurais com os drones, já disponíveis na GNR, o responsável considerou ser "uma mais-valia para o sistema" a vigilância aérea com helicópteros quando o país está em períodos críticos e em situação de alerta especial devido ao risco elevado de incêndio.
O comandante-geral da GNR avançou também que este ano vai funcionar no comando-geral da GNR, no Largo do Carmo em Lisboa, uma célula onde trabalham várias entidades, nomeadamente IPMA, Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) e Proteção Civil, que todas as semanas elaboram um estudo com previsões e itinerários de patrulhamento e vigilância.
O responsável considerou que o sistema de alerta está "muito melhor do que no passado", mas é necessário continuar a investir na vigilância, deteção, comunicação rápida e atuação na primeira intervenção de combate aos fogos.
A GNR está neste momento na fase de sinalização de terrenos e, segundo o comandante-geral, já foram identificados perto de 12 mil terrenos por limpar, nomeadamente em locais junto a casas, aldeias, rede rodoviária e ferroviária.
Os proprietários têm até 30 de maio de obrigatoriamente limpar os terrenos, passando depois a GNR para a fase de fiscalização.
Na zona de Leiria, onde existem milhares de árvores caídas devido à depressão Kristin, o prazo foi prolongado até ao fim de junho, além de ter sido instalado um Comando Integrado de Prevenção e Operações para a remoção do material combustível, limpeza de áreas críticas, reabertura de caminhos e melhoria de acessos.
O comandante-geral da GNR anunciou que vai ser criado no verão naquela zona um plano específico de vigilância e um patrulhamento diferenciado, tendo em conta que vai ser difícil limpar todos os terrenos.
Rui Veloso indicou ainda que este ano a GNR já deteve mais de 80 pessoas pelo crime de incêndio florestal, mais do que em todo o ano do ano passado, sendo a maioria relacionado com descontrolo de queimas e queimadas.
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