Paralisação iniciada a 26 de maio e por um período de 12 dias, abrange as últimas duas horas de cada turno.
A greve parcial dos trabalhadores da PSA Sines e da LaborSines, no Terminal XXI, que termina esta sexta-feira, teve uma "adesão massiva" e foi "das maiores de sempre" naquele terminal do porto alentejano, argumentou fonte sindical.
A greve, iniciada a 26 de maio e por um período de 12 dias, foi convocada pelo Sindicato das Indústrias, Energia, Serviços e Águas de Portugal (SIEAP), abrangendo as últimas duas horas de cada turno.
"Fazemos um balanço muito positivo. Talvez seja das maiores greves de sempre aqui na PSA", afirmou o secretário-geral do SIEAP, Cláudio Santiago, em declarações à agência Lusa.
O dirigente sindical disse não ter dados para precisar a adesão exata dos trabalhadores à paralisação, mas deu um exemplo para se perceber o impacto: "Em 12 gruas, em média, ficaram entre uma a duas gruas a trabalhar e isso consegue aquilatar a adesão massiva a esta greve".
Tratou-se de uma greve com "um espírito muito importante" na procura "de soluções" para as reivindicações dos trabalhadores, tendo sido "o último recurso" encontrado pelo sindicato para alertar para a necessidade de "negociar um acordo que valorize os trabalhadores".
O ano de "2024 foi o melhor de sempre deste porto e o que observamos é um recuo nos direitos destes trabalhadores. Ninguém compreende, os portugueses não compreendem como se pode recuar nesses direitos", afirmou.
Em comunicado enviado hoje à Lusa, a empresa PSA Sines, concessionária do Terminal XXI do Porto de Sines, disse rejeitar "veementemente as acusações" de que é alvo por parte do sindicato.
"Rejeitamos veementemente as acusações de que a nossa empresa enganou os trabalhadores ou se recusou a entrar em negociações", pode ler-se.
Já o dirigente do SIEAP indicou que estão em causa direitos em relação "ao horário de trabalho e à conciliação da vida profissional com a vida familiar".
O sindicato apresentou "um caderno de propostas variado", mas "a empresa diz que não consegue rigorosamente nada", argumentou, dando como exemplo o direito ao dia de aniversário, que a administração diz "não ter capacidade para acomodar".
De acordo com Cláudio Santiago "os trabalhadores votaram massivamente contra a alteração do horário de trabalho que foi imposto unilateralmente, rompendo com um acordo que existia desde 2019".
"Não foi renegociado um acordo que tinha sido firmado sobre progressão e integração de carreiras e sobre valorização destes trabalhadores também a nível salarial", criticou, acrescentando que a questão do horário "é central na vida" dos trabalhadores e "não tem impacto para a empresa".
No comunicado enviado à Lusa, a PSA Sines afiançou que tem dado "prioridade à transparência" nas comunicações e que continua aberta "a um diálogo construtivo, de forma ordenada e sem perturbações" com os trabalhadores.
A empresa esclareceu que, em matéria de aumentos salariais e outras compensações, em janeiro de cada ano, procede à atualização do salário base de acordo com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) publicado Instituto Nacional de Estatística.
São também aplicados aumentos salariais, em abril de cada ano, com base nos esquemas de progressão previamente acordados, beneficiando os trabalhadores, "nos últimos três anos", de "um aumento salarial médio" que "excede significativamente as tendências nacionais", realçou.
Apesar de garantir o cumprimento integral dos requisitos legais para a implementação do horário de trabalho de rotação por turnos, a PSA Sines reconheceu que, "por comparação ao período de inverno, existe uma maior carga horária no período de verão da escala de serviço".
No entanto, "o impacto é limitado a quatro meses, dos quais três semanas correspondem ao período de férias planeado", disse.
"Importa salientar também que a média de horas de trabalho" nestes períodos "está em total conformidade com o Acordo de Empresa", lê-se no comunicado.
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