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Igreja disponível para colaborar com sociedade civil no combate aos abusos sexuais

Representante das vítimas contestou o silêncio do Estado em relação ao "desenvolvimento e fechamento do processo de apoio e de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica".

14 de julho de 2026 às 18:36

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou esta terça-feira a sua disponibilidade para colaborar com a sociedade civil no combate aos abusos sexuais, depois de a associação das vítimas na Igreja ter pedido uma auditoria do Estado ao processo.

"As vítimas são livres de apresentar as suas preocupações às instâncias que considerem adequadas", respondeu à Lusa fonte da da CEP, confrontada com o pedido de audiência junto do Presidente da República pela associação Coração Silenciado, que considera "injusto e pouco transparente" o processo de compensações às vítimas.

A CEP "continua disponível para colaborar com a sociedade civil no combate aos abusos, na proteção das pessoas mais vulneráveis e no apoio às vítimas", referiu a instituição, acrescentando que "mantém aquilo que já afirmou anteriormente sobre este processo e não tem mais a acrescentar".

Por seu turno, António Grosso, porta-voz da associação, lamentou o silêncio de António José Seguro sobre o caso e disse que as vítimas querem que o "Estado, de uma vez por todas, assuma a responsabilidade de ter algum papel em todo este processo, que foi todo ele desenvolvido em causa própria, aberto e fechado em causa própria, com muitas ilegalidades, com muita falta de respeito pelas vítimas".

O representante das vítimas contestou o silêncio do Estado em relação ao "desenvolvimento e fechamento do processo de apoio e de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica". "Este silêncio institucional é motivo de profunda preocupação para dezenas de vítimas de abuso sexual que continuam a aguardar que o Estado escute as suas legítimas preocupações", refere a associação.

António Grosso disse ter havido "uma grande falta de caráter" por parte da Igreja, assim como "uma grande falta de coerência, uma grande injustiça e igualmente uma grande avareza", porque tudo indica que "houve a tentativa de reduzir ao mínimo o número de pessoas para que tivessem que pagar o menos possível".

"Achamos que o Estado tem de assumir as suas responsabilidades, porque as crianças que são entregues a instituições religiosas foram entregues pelo Estado a essas instituições", cabendo-lhe por isso saber como é que "são cuidadas efetivamente".

A associação irá também enviar um dossiê ao parlamento sobre esta matéria, para que o Estado faça "uma revisão e uma auditoria a todo este processo que a Igreja desenvolveu dentro de portas, com muita falta de transparência, desde logo porque os relatórios que serviram de base à fixação de valores das compensações foram escritos pelas comissões de instrução de acordo com o regulamento estabelecido" pelos bispos.

Em abril, o presidente cessante da CEP, José Ornelas, estimou que as investigações internas dos abusos, o apoio às vítimas e as compensações implicaram uma despesa total de três milhões de euros à Igreja em Portugal.

As vítimas de abuso sexual na Igreja Católica vão receber entre 9 mil e 45 mil euros e já foram aprovados 57 pedidos, faltando definir montantes para nove casos, perfazendo, até ao momento, o valor de 1.609,650 euros.

Há casos que estão a decorrer nos tribunais e investigações no Ministério Público e José Ornelas disse esperar que as "instituições do país funcionem para que essa investigação possa ser feita de uma forma isenta e também para que as pessoas possam ser convocadas" pelas autoridades. 

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