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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Imigrantes retirados de alojamento ilegal em Lisboa serão acompanhados para realojamento

Pessoas viviam em "condições muito desumanas", com baratas e ratos, indicou a autarca de Arroios.

22 de maio de 2025 às 23:49

Cerca de 30 imigrantes foram retirados na quarta-feira de um alojamento ilegal em Arroios, estando em curso o realojamento por parte da Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, revelou hoje a junta de freguesia.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Madalena Natividade (independente eleita pela coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), disse que foi desmantelado um alojamento ilegal que funcionava num restaurante desativado, sem condições de habitabilidade, e que albergava cerca de 30 imigrantes indostânicos.

As pessoas viviam em "condições muito desumanas", com baratas e ratos, indicou a autarca de Arroios, referindo que a situação foi denunciada pelos vizinhos, que se queixaram à junta "do cheiro nauseabundo e de movimentos estranhos a entrar e sair do restaurante".

As queixas foram recebidas "a semana passada" e Madalena Natividade pediu aos serviços de licenciamento que tentassem perceber o que se passava nas imediações, tendo decidido pedir ajuda à Polícia Municipal de Lisboa para fazer a fiscalização, que "confirmou que, realmente, havia ali indícios de alguma ilegalidade".

A intervenção no local ocorreu na quarta-feira de manhã, adiantou a presidente da junta, referindo que as pessoas imigrantes foram identificadas, desconhecendo-se, para já, se estão regulares no país.

Questionada sobre o processo de realojamento, a autarca indicou que "o devido acompanhamento da situação" está a ser assegurado pelos serviços da Câmara Municipal e da Santa Casa da Misericórdia, com o envolvimento da Polícia Municipal, sem adiantar detalhes.

Os imigrantes retirados deste alojamento ilegal "mal falavam inglês", pelo que houve "alguma dificuldade" na recolha de informações, mas há a indicação de que "pagavam entre 180 a 200 euros por mês" para pernoitar neste restaurante desativado, revelou Madalena Natividade.

Como presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Madalena Natividade afirmou que a sua preocupação é zelar pela saúde pública, garantir a segurança e "combater esta imigração ilegal, que está a crescer".

Relativamente a outras situações de alojamento ilegal em Arroios, a autarca disse que tem recebido "muitas denúncias" quanto a apartamentos e prédios particulares, sobretudo relacionadas com a sobrelotação e a falta de condições de habitabilidade, e casos pontuais associados a espaços comerciais, referindo que, além deste restaurante desativado, foi identificada uma situação de habitação irregular num espaço de um dentista.

A intervenção da junta é motivada "por uma questão de segurança" em espaços com sobrelotação, bilha de gás e insalubridade, porque "são tudo focos que podem depois trazer problemas de saúde pública", explicou.

"Como presidente de junta, tenho que me preocupar com a saúde pública, não só de quem está naqueles espaços insalubres como também da própria vizinhança e também da segurança de todos. Eu tenho que me preocupar com todos os que estão aqui no espaço da freguesia", reforçou Madalena Natividade.

Para a autarca, os proprietários dos imóveis onde há alojamento ilegal têm que ser responsabilizados, inclusive porque estão a receber dinheiro para que as pessoas pernoitem sem condições de salubridade.

"Estas fiscalizações deveriam de acontecer com mais regularidade e sempre que necessário", defendeu Madalena Natividade, assegurando que a junta vai continuar a trabalhar nesse âmbito.

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