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Correio da Manhã

Sociedade

O desespero e a revolta de quem viaja em transportes públicos quando o Estado falha

Caos gerado pelo excesso de passageiros e por paralisações sucessivas deixam utilizadores sem opções viáveis.
Rita F. Batista e Ana Botto 4 de Junho de 2019 às 21:12
O desespero e a revolta de quem viaja em transportes públicos quando o Estado falha
O desespero e a revolta de quem viaja em transportes públicos quando o Estado falha FOTO: CMTV

O Investigação CM desta noite revela o sofrimento de quem usa os transportes públicos e não tem mais nenhuma opção quando o Estado falha. Equipas da CMTV, munidas de câmaras ocultas, dissimularam-no no meio de milhares de cidadãos anónimos que todos os dias utilizam os transportes públicos da grande Lisboa e testemunharam o desespero e a revolta de quem muitas vezes não é tratado como gente. 

Greves na Soflusa geram desespero
Caos e longas filas de espera: é uma realidade diária na Estação Fluvial do Barreiro, onde várias ligações com Lisboa têm sido suprimidas devido às greves constantes dos mestres da Soflusa.

A equipa de reportagem da CMTV infiltrou-se no meio dos passageiros que todos os dias são obrigados a aguardar largos minutos ou horas para poderem ir para o trabalho ou regressar a casa. O caos começa logo na sala de espera enquanto os passageiros aguardam pelo barco.

À medida que vão chegando, os passageiros tentam perceber através de uma folha colada na parede quantos barcos foram suprimidos e qual será a próxima alternativa. Mesmo sabendo das esperas que vão enfrentar, os passageiros não encontram outras soluções viáveis para fazer a travessia.

O caos é constante e o tempo de espera ultrapassa qualquer limite do que poderia ser considerado aceitável pelos utilizadores. Numa altura em que são constantes os apelos para deixar o carro em casa e usar os transportes públicos, muitos passageiros não têm alternativas disponíveis.

Caos na Linha de Cascais
Utilizar o comboio urbano entre Cascais e Lisboa transformou-se num verdadeiro quebra cabeças. O caos instala-se sobretudo às horas de ponta. Tanto de manhã ou ao final da tarde, os utentes viajam como sardinha em lata.

O passe único tem um custo máximo de 40 euros e permitiu poupanças significativas às famílias. Mas o aumento da procura foi três vezes maior do que o governo estava à espera. Também a redução do número de composições explica excesso de utentes.

Com o novo passe é possível viajar em todos os transportes coletivos dos 18 concelhos da área metropolitana de Lisboa. Só na linha de Cascais, o comboio da CP chega e parte sempre lotado.

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