Sete jovens iam regressar a Portugal esta quarta-feira, mas não o puderam fazer devido à instabilidade no país.
Os jovens portugueses retidos no Peru queixam-se dos custos extra que estão a ter de suportar, porque os seguros "não cobrem situações como golpes de estado".
Francisco Rodrigo dos Santos é um dos sete jovens que tinha viagem marcada de regresso a Portugal na quarta-feira, mas acabou por ficar retido devido à instabilidade no país.
"Esta viagem foi planeada durante um ano e estava tudo pago, mas neste momento estamos com custos extra, sendo que o seguro tinha uma cláusula de exclusão para situações como golpes de Estado que, na altura, nos pareceu exagerado", disse à Lusa o jovem de 23 anos.
O recém-licenciado em Medicina disse que os jovens estão a pagar todos os novos gastos: "Como perdemos a nossa viagem, compramos uma nova viagem de regresso, sendo que poderá ser impossível fazê-la. Gostaríamos de ter ajuda para regressar".
A nova viagem de regresso está marcada para dia 19 mas os jovens reconhecem que há o risco de não conseguirem apanhar o avião, uma vez que estão retidos num hotel em Arequipa, a mais de 1.200 quilómetros da capital e do aeroporto.
Joana Dias é outra jovem portuguesa retida no Peru. Joana está com outros dois amigos em Aguas Calientes, onde têm visto turistas abandonar a povoação a pé com destino à cidade mais próxima, a "15 horas de distância a pé".
"As coisas estão relativamente calmas, há manifestações mas esta é uma cidade pequena, com apenas duas ruas que se visitam em dez minutos. O problema é que não conseguimos sair daqui. A única opção é a pé e há mesmo quem esteja a fazer essa viagem até Ollantaytambo, mas a estimativa é demorarem entre 15 a 16 horas", disse Joana Dias à Lusa.
Joana Dias garante que vai cumprir as indicações do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem pedido aos portugueses que aguardem nos hotéis até ser encontrada uma solução para o regresso a Portugal em segurança.
"Claro que temos uma sensação de impotência, até porque quem faz a viagem a pé está a conseguir chegar a outra cidade e tem mais hipóteses de chegar a casa. Mas não vamos arriscar, porque não sabemos ao certo a distância nem as condições de segurança no trajeto", contou à Lusa a jovem que partiu para a América Latina no início do mês depois de terminar o curso e realizar o exame nacional de Medicina.
Francisco Rodrigo dos Santos disse à Lusa que na quarta-feira descobriu que no hotel onde está hospedado estão outras três jovens portuguesas também recém-licenciadas em Medicina.
"Elas já cá estavam há mais tempo e não tiveram a infelicidade de ficarem presas 50 horas na estrada, no meio do deserto", contou Francisco Rodrigues dos Santos, recordando quando ficou retido dentro de um autocarro na Estrada Pan Americana.
O grupo de Francisco deveria ter regressado a Portugal na quarta-feira, mas não consegue fazer a ligação até Lima, para apanhar o avião de regresso.
"Neste momento sentimos que o pior já passou. Estamos em segurança. Há manifestações, mas são pacíficas. Claro que para as nossas famílias, o importante era estarmos de regresso", disse.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros há 40 portugueses no Peru - nas regiões de Cuzco, Arequipa e Aguas Calientes (Machu Picchu) -- "retidos devido ao encerramento dos aeroportos e da circulação rodo e ferroviária".
"Todos os cidadãos assinalados encontram-se em segurança e em contacto permanente com as autoridades", acrescentou o MNE.
Na quarta-feira, o governo da nova chefe de Estado do Peru, Dina Boluarte, decretou o estado de emergência em todo o país por um período de 30 dias, "para controlar atos de vandalismo e violência cometidos nas manifestações de protesto" contra a destituição do ex-presidente Pedro Castillo.
O ex-presidente foi detido na quarta-feira passada por guarda-costas quando se dirigia à embaixada do México para solicitar asilo político. É acusado de "rebelião" e na quinta-feira o Supremo Tribunal ordenou, a pedido do procurador-geral, que permanecesse em detenção provisória por sete dias.
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