Falhas na pavimentação e no saneamento foram agravadas pelo recente temporal.
Seis presidentes de juntas de freguesia de Lisboa alertaram esta quinta-feira para falhas na pavimentação e no saneamento, agravadas pelo recente temporal, defendendo um plano estruturado de manutenção urbana para evitar a repetição dos danos.
O alerta foi dado esta tarde numa comissão da Assembleia Municipal de Lisboa, no âmbito da elaboração de um relatório sobre o estado do edificado sob a responsabilidade das juntas de freguesia, após a passagem das recentes tempestades, nomeadamente a tempestade Kristin.
Sem ainda apresentar a contabilização financeira dos estragos, os seis presidentes de junta de Lisboa ouvidos pela comissão apontaram para problemas comuns verificados nos seus territórios, nomeadamente queda de árvores, infiltrações e estragos no pavimento.
O primeiro autarca a falar foi o da Junta de Freguesia de Alcântara, Mauro Santos (PS), que alertou para o mau estado de vários equipamentos públicos, ressalvando que alguns deles já apresentavam fragilidades antes do temporal, referindo-se às piscinas e pavilhões.
"No caso dos equipamentos que já apresentam condições de deterioração não é fácil para nós dizermos isto aconteceu aqui ou isto ficou pior ali, ou quais serão os custos de uma eventual requalificação", apontou o autarca.
Nesse sentido, Mauro Santos referiu que a situação verificada atualmente evidencia a "falta de manutenção continuada", alertando que estes episódios de chuva intensa acabam por expor problemas antigos e "aumentar os riscos para os utilizadores".
Já o presidente da Junta de Freguesia de Belém, João Carvalhosa (PSD), indicou que os impactos do temporal na freguesia foram limitados, destacando a eficácia das ações de prevenção e da resposta no terreno.
O autarca sublinhou que o trabalho antecipado permitiu minimizar ocorrências mais graves, nomeadamente em zonas mais expostas, defendendo a importância de manter estratégias de prevenção.
No entanto, alertou para riscos futuros, sobretudo ao nível da drenagem e da proximidade ao rio Tejo.
"Há uma grande frente ribeirinha e, quando a maré está alta, acaba por conseguir galgar o paredão. Felizmente não teve consequências, nem tivemos inundações por causa disso mas, se calhar, é uma coisa que a cidade tem de começar a pensar a longo termo", aconselhou.
Por sua vez, o presidente da Junta de Santa Clara, Carlos Castro (PS), alertou para problemas estruturais ao nível da pavimentação, criticando a ausência de um plano consistente para a manutenção das vias.
O também antigo vereador da Proteção Civil indicou que a degradação do piso tem vindo a agravar-se, dificultando a circulação na freguesia.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de existir uma intervenção integrada que articule pavimentação e saneamento.
"As intempéries apenas agravam um problema que já é delicado, até porque a Câmara continua com esta falha de fazer um planeamento de pavimentação e repavimentação na cidade", criticou Carlos Castro.
Por seu turno, a presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Filipa Veiga (PSD), criticou a falta de informação por parte dos serviços municipais após o temporal, apontando dificuldades na articulação e acompanhamento das ocorrências.
"Quando a tragédia começa e se dá é a nós, presidentes, que nos vêm bater à porta, mas, para nos dar informação, o que eu tenho sentido é que somos o fim da cadeia alimentar", queixou-se.
A autarca criticou ainda o estado de algumas infraestruturas, em particular na área da higiene urbana, classificando-as de "deploráveis".
Já a presidente da Junta de Santa Maria Maior, Maria João Correia (PS), indicou que o temporal teve impactos controlados na freguesia, destacando a capacidade de resposta dos serviços.
A autarca explicou que a sede de freguesia e algumas escolas foram monitorizadas e protegidas.
O último autarca a falar foi o do Beato, Silvino Correia (PS), que relatou vários episódios de infiltrações em equipamentos públicos, nomeadamente em duas escolas e na sede da junta de freguesia.
Silvino Correia destacou a queda de tetos falsos e um curto-circuito, que originou um pequeno incêndio, sem causar vítimas, apontando a vulnerabilidade de alguns edifícios.
Esta comissão da Assembleia Municipal de Lisboa irá proceder nas próximas semanas à audição dos restantes presidentes de junta de freguesia.
A CCDR de Lisboa e Vale do Tejo já aprovou 600 pedidos de apoio para habitações afetadas pelas tempestades no seu território, no valor global de 2 milhões de euros, segundo disse à Lusa a presidente desta entidade.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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