Militante do Chega foi exonerada do cargo de vogal dos serviços sociais da Câmara de Lisboa após se saber que arrendava habitações alegadamente clandestinas a imigrantes.
Mafalda Livermore, a militante do Chega exonerada do cargo de vogal dos serviços sociais da Câmara de Lisboa após se saber que arrendava habitações alegadamente clandestinas a imigrantes, desfiliou-se do partido, lamentando aspetos negativos que "prejudicaram" a sua vida.
Numa publicação na rede social Intagram, Mafalda Livermore refere que decidiu "pôr fim" à sua "participação política ativa".
A agora ex-militante indica que a decisão "não foi tomada de ânimo leve" e resulta "de um processo de reflexão profundo, tanto a nível político, como pessoal".
Sem referir a polémica em que está envolvida, Mafalda Livermore refere que o seu percurso "teve aspetos muito positivos e outros negativos" que a "prejudicaram em várias vertentes" da sua vida.
"Continuarei a intervir na via pública com o mesmo sentido de missão, mantendo-me fiel aos valores que sempre nortearam a minha ação: responsabilidade, integridade e compromisso com as pessoas", escreve.
Na publicação, Mafalda Livermore deseja "aos agora ex-companheiros de partido" as "maiores felicidades" e refere que será "sempre Chega".
Mafalda Livermore foi recentemente exonerada do cargo de vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa (SSCML) - para o qual tinha sido nomeada em dezembro pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas - após uma reportagem da RTP que revelou que a militante do Chega é proprietária de vários imóveis com habitações alegadamente clandestinas para arrendamento a imigrantes.
Mafalda Livermore é namorada do vereador do Chega na autarquia lisboeta e o caso gerou mal-estar no partido, com a deputada e membro da Direção Nacional do Chega Rita Matias a defender a demissão de Bruno Mascarenhas.
"Bruno Mascarenhas, se quiser fazer um favor ao partido Chega, demita-se de vereador, saia e passe o lugar. Espero que não fique como independente, passe o lugar para ficar alguém que realmente represente o partido Chega e os seus interesses", afirmou, no seu espaço de comentário no canal Now, considerando que este "é um caso que envergonha o partido" e trata-se de uma conduta "absolutamente condenável".
Na última reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, na terça-feira, também o líder da bancada do Chega distanciou-se do vereador, referindo que não se revê nem foi consultado previamente sobre a indicação de nomes para empresas municipais.
O líder do Chega, André Ventura, indicou que a jurisdição do partido está a desenvolver "procedimentos internos" na sequência da reportagem da RTP, cujas conclusões serão tornadas públicas mais tarde, remetendo eventuais decisões para essa altura.
"Quando houver conclusões, cá estarei para as assumir e para levar até às últimas consequências", disse, considerando que o desafio lançado por Rita Matias "é um exercício de opinião política num partido que é político, que é livre e que é democrático".
Na quarta-feira, em declarações à SIC, Bruno Mascarenhas disse que falou com o presidente do Chega e que André Ventura lhe disse que "não vai propor" a sua saída.
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