Militante do Chega foi exonerada após se saber que geria um 'império' de imóveis com habitações alegadamente clandestinas para arrendamento a imigrantes.
O PS, Livre, BE e PCP em Lisboa criticaram esta segunda-feiraa nomeação de Mafalda Livermore, militante do Chega recentemente exonerada do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da autarquia e exigiram explicações de Carlos Moedas sobre a escolha.
Em causa está a recente exoneração de Mafalda Livermore do cargo de vogal do Conselho de Administração dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa (SSCML) - para o qual tinha sido nomeada em dezembro pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas - após uma reportagem da RTP que revelou que a militante do Chega é proprietária de vários imóveis com habitações alegadamente clandestinas para arrendamento a imigrantes.
A vereadora do PS Alexandra Leitão considerou, em resposta escrita à Lusa, que a situação levanta "uma questão clara de responsabilidade política", lembrando que "Carlos Moedas justificou esta nomeação invocando a competência da pessoa escolhida".
"Tendo em conta a convergência sistemática que temos visto entre Carlos Moedas e o Chega em votações relevantes na Câmara Municipal de Lisboa, é legítimo questionar se esta nomeação não resulta também de uma lógica de troca de favores políticos", salientou a socialista, apontando que "é a credibilidade das próprias instituições e a confiança dos cidadãos que ficam em causa", razões pelas quais o PS considera que o presidente "deve prestar todos os esclarecimentos sobre os critérios que estiveram na base desta escolha".
Da parte do Livre, o vereador Carlos Teixeira considerou, em resposta escrita à Lusa, que "todo este caso revela até onde Carlos Moedas parece estar disposto a ir para garantir aprovações em Câmara" e defendeu que "a gestão da cidade não pode ficar refém de entendimentos políticos opacos que coloquem em causa a confiança dos lisboetas nas instituições".
Para o Livre, a nomeação de Mafalda Livermore "confirma as preocupações com os critérios políticos e a falta de transparência associada a esta escolha", questionando-se "como foi possível permitir" que "alguém que não hesita em explorar imigrantes em habitação clandestina de forma indigna" fosse nomeada para um cargo público na Câmara.
Já o BE, realçou que "tudo indica que esta nomeação serviu como moeda de troca política num conjunto de votações decisivas em que o Chega foi fundamental para viabilizar a agenda de concentração de poderes nas mãos de Carlos Moedas, poderes muito para além do normal numa governação municipal".
Classificando este caso como "uma mancha no mandato de Carlos Moedas", o BE considera que o presidente "não pode remeter-se ao silêncio nem apresentar esta exoneração como mera 'quebra de confiança institucional'", salientando que "as consequências políticas da nomeação e das condições que a tornaram possível continuam por esclarecer".
Para o PCP, "mais do que negociatas de ocasião", as nomeações para funções relevantes no município deveriam ser baseadas na adequação ao cargo e competência, considerando que "claramente, não foi o caso nesta nomeação demonstrativa dos princípios que guiam as decisões da gestão de Carlos Moedas".
Questionado pela Lusa, o vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, lamentou o que considera ser "uma tentativa de descredibilização pública" de Mafalda Livermore e afirmou que esta militante do seu partido "demonstrou competência, dedicação e sentido de serviço público" nos cerca de três meses em que exerceu funções como vogal dos Serviços Sociais.
Sobre a reportagem da RTP, Bruno Mascarenhas questionou a credibilidade das fontes utilizadas para sustentar "acusações tão graves" e afirmou que Mafalda Livermore "não tem conhecimento direto" de habitações clandestinas para imigrantes nos imóveis de que é proprietária, tendo-o informado de que "está em causa um imóvel composto por seis frações que se encontra atualmente em processo de partilhas no âmbito do seu divórcio".
A Lusa questionou o gabinete do presidente da Câmara, mas ainda aguarda uma resposta.
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