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Correio da Manhã

Sociedade
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Lar de Vale de Cambra tem 51 infetados e uma vítima mortal

Entre os idosos contaminados incluem-se oito que estão hospitalizados.
Lusa e Correio da Manhã 7 de Abril de 2020 às 15:15
Lar da Fundação Luiz Bernardo de Almeida em Vale de Cambra
Lar da Fundação Luiz Bernardo de Almeida em Vale de Cambra FOTO: Direitos Reservados
O lar da Fundação Luiz Bernardo de Almeida, em Vale de Cambra, que na sexta-feira registava um óbito e um infetado por covid-19, revelou esta terça-feira ter atualmente 51 utentes com o novo coronavírus, aguardando ainda dezenas de resultados.

A informação surge dias depois da instituição do distrito de Aveiro ter dito à Lusa que, após a realização dos primeiros testes a idosos e funcionários a expensas da própria casa, as autoridades de saúde não estavam a disponibilizar exames para cerca de 80 utentes ainda não rastreados, entre os 120 seniores que habitam no lar.

"O delegado de saúde passou-nos a requisição para os testes, mas, como não há material disponível no mercado, quem nos resolveu o problema foi o [empresário local] Miguel Aguiar Soares. Apareceu-nos cá no sábado com material para 100 testes e, se não fosse ele, continuávamos com toda a gente por rastrear e a pensar inocentemente que só tínhamos meia dúzia de infetados", afirmou esta terça-feira o diretor-geral da unidade de apoio social, José Carlos Coelho.

Para o diretor da Fundação Luiz Bernardo de Almeida, um dos aspetos mais graves da situação é que os testes têm permitido apurar "que há muita gente infetada sem apresentar absolutamente nenhum sintoma", pelo que essas pessoas continuam a relacionar-se com terceiros ignorando que já deviam estar em tratamento e sob quarentena.

Os utentes infetados que residem no lar já foram, entretanto, separados dos restantes, estando essa comunidade de idosos agora distribuída pelos quatro edifícios da Fundação, de forma a assegurar "o mais isolamento possível" aos doentes.

Numa comunicação à população através da rede social Facebook, o presidente da Câmara afirmou esta terça-feira que a Fundação "está a desenvolver todos os esforços para conter a propagação do vírus enquanto aguarda os restantes resultados dos testes já efetuados".

Informado que contactou "o Comandante Distrital da Proteção Civil de Aveiro, que irá garantir a descontaminação das instalações da instituição por uma equipa especializada e devidamente equipada para o efeito", José Pinheiro acrescentava que a Câmara tem vindo "a constituir uma reserva estratégica de equipamentos de proteção individual para dar resposta a eventual rutura de 'stock' por parte das instituições particulares de solidariedade social, num investimento que ascende aos 50.000 euros".

Quanto aos esforços de diagnóstico da doença, o autarca do CDS-PP revelava também que têm início esta terça-feira os testes de rastreio no Centro Social e Paroquial de S. João Batista, na freguesia de Cepelos, e na Santa Casa da Misericórdia, em Vale de Cambra. Esses exames foram adquiridos no mercado "no seguimento dos contactos desenvolvidos pela Câmara Municipal, que suportará os custos dos mesmos".

O novo coronavírus responsável pela pandemia da covid-19 foi detetado na China em dezembro de 2019 e já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais mais de 70.000 morreram. Ainda nesse universo de doentes, mais de 240.000 recuperaram.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde indicava 11.730 infeções confirmadas. Desse universo de doentes, 311 morreram, 1.099 estão internados em hospitais, 140 recuperaram e os restantes convalescem em casa ou noutras instituições.

A 17 de março, o Governo declarou o estado de calamidade pública no concelho de Ovar e, no dia 19, o estado de emergência nacional em todo o país. Ambos vigoram até às 23:59 do dia 17 de abril, sendo que toda a população está proibida de circular fora do seu concelho de residência entre a próxima quinta e segunda-feira, para desincentivar viagens no período da Páscoa.

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