Valor não inclui os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta.
Imagens aéreas mostram Leiria 'debaixo de água'
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O Município de Leiria estimou que os prejuízos provocados pela depressão Kristin à data desta quarta-feira ascendem a 792,8 milhões de euros (ME), sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta.
"Dentro daquilo que conseguimos apurar, o que já gastámos, mais a primeira estimativa por baixo, temos um valor de 792,8 milhões de euros. Ainda falta outro tanto", disse esta quarta-feira o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes.
Numa conferência de imprensa no quartel dos Bombeiros Sapadores, de Leiria o autarca anunciou que só na fase "humanitária, emergência e operacional" foram gastos 13,3 milhões de euros, a que acrescem 25,3 milhões de euros de prejuízos na área das habitações particulares, valores com base nas candidaturas já submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, "embora os prejuízos sejam superiores a esses", admitiu o presidente da Câmara.
O autarca acrescentou que as empresas sofreram danos superiores a 200 milhões de euros, estimando-se uma quebra de atividade económica na ordem dos 70,7 milhões de euros.
Gonçalo Lopes notou que o produto interno bruto do concelho ronda os 2.100 milhões de euros por ano. "Isso faz com que sempre que a atividade económica para, é um dia em que não se cria riqueza" o que representa perdas de 5,6 milhões de euros.
Segundo o presidente da Câmara, na primeira semana da passagem da depressão Kristin, "100% da atividade económica esteve parada", projetando que na segunda semana apenas 50% funcionou e na seguinte 25% da economia continuou sem trabalhar. "A tendência é que estes 25% se mantenham ou retomem lentamente", apontou.
De acordo com as contas apresentadas, foram ainda contabilizados 26,2 milhões de euros na área do associativismo, ambiente, património religioso e cultural e instituições particulares de solidariedade social, estando por apurar os valores dos prejuízos em viaturas particulares.
"Não podemos esquecer que a maioria dos carros que estava na rua naquele dia foram afetados pela tempestade. E muitas das pessoas vão perder essa riqueza se não houver apoios", alertou.
A floresta tem também danos incalculáveis, disse Gonçalo Lopes, lembrando os empresários do minifúndio e com pequenas explorações neste setor. "Estimamos que cerca de cinco milhões de árvores no concelho tenham desaparecido, se isto for avalizado poderemos chegar a um valor de 500 milhões de euros", acrescentou.
Associado à floresta, as empresas ligadas "à madeira e à carpintaria vão-se ressentir com este desastre".
Por apurar estão também os prejuízos no património municipal. "Será o nosso trabalho nos próximos dias. Mas, são contas impressionantes, muito difíceis de estimar. Não são só os edifícios, as escolas, uma das áreas mais importantes ou os pavilhões desportivos", adiantou.
O orçamento apresentado à autarquia para a reposição da sinalética rodoviária e de semáforos ronda os 900 mil euros, revelou Gonçalo Lopes, observando que todos os dias aparecem estragos nas estradas.
O município tem já em marcha um plano de rearborização do concelho. "Contactámos o melhor especialista nesta área e ficou surpreendido com aquilo que viu. Será o maior desafio daquilo que é a arquitetura paisagística em Portugal nos últimos anos. Nunca ninguém pegou numa cidade e vai pensar em como arborizá-la", disse, Gonçalo Lopes, acrescentando que será um projeto que vai mobilizar alunos e professores da Universidade do Porto.
Por contabilizar estão também os estragos no património do Estado, onde se incluem os edifícios dos tribunais, Segurança Social, prisões, quartéis ou bombeiros, exemplificou.
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