Sé volta a abrir três semanas depois de a depressão Kristin ter atingido o território da Diocese de Leiria-Fátima.
A Sé de Leiria reabre esta quarta-feira ao culto com uma celebração pelas vítimas do mau tempo, três semanas depois de a depressão Kristin ter atingido o território da Diocese de Leiria-Fátima.
O início da celebração, presidida pelo bispo diocesano, José Ornelas, está marcado para as 21:00, no Largo do Papa, "onde os fiéis se irão concentrar para dar início a uma procissão de velas com a imagem de Nossa Senhora da Encarnação, padroeira da cidade de Leiria", de acordo com informação da diocese.
"A imagem será conduzida até à Sé de Leiria, onde será entronizada na Catedral, permanecendo para veneração dos fiéis até regressar ao seu santuário. Depois deste ritual, é celebrada a Eucaristia com o rito da imposição das cinzas, assinalando o começo do tempo da Quaresma".
Na mesma nota, a diocese lembrou que, “tradicionalmente, a celebração da Quarta-feira de Cinzas na cidade realizava-se no Santuário de Nossa Senhora da Encarnação”.
“Contudo, os danos provocados pela tempestade, que destruiu parte daquele edifício, levaram à transferência da celebração para a catedral diocesana”, esclareceu, referindo que “a Sé esteve igualmente encerrada devido aos efeitos do fenómeno meteorológico, sendo agora reaberta com esta celebração”.
A Câmara de Leiria “associa-se a esta celebração em memória das vítimas da tempestade, num momento de oração que reúne a comunidade diocesana e a cidade”.
A Diocese de Leiria-Fátima abrange os concelhos de Leiria, Batalha, Porto de Mós, Marinha Grande e Ourém, e parcialmente Alcanena, Alcobaça e Pombal.
No dia 02, a Diocese de Leiria-Fátima anunciou que iniciou contactos para a recuperação do Santuário de N.ª Sr.ª da Encarnação, que sofreu “danos graves” devido ao mau tempo.
Então, a diocese esclareceu que “o edifício religioso viu o seu telhado e o campanário desabarem, marcando um episódio particularmente doloroso para a comunidade local”.
Nessa semana, o instituto público Património Cultural anunciou uma intervenção urgente na Capela de N.ª Sr.ª da Encarnação, no santuário com o mesmo nome.
Esta capela está classificada como Monumento de Interesse Público desde 1982.
“O dano mais significativo correspondeu ao colapso parcial da cobertura da igreja, com elementos da estrutura de suporte em madeira partidos ou ausentes, deixando grande parte do interior diretamente exposto à intempérie”, referiu, numa informação enviada à agência Lusa, o Património Cultural.
Esta situação coloca “em perigo o património integrado de elevado valor histórico e artístico, nomeadamente as pinturas evocativas à Virgem e a São Gabriel e um conjunto de ex-votos datados do século XVI”.
A empreitada para remoção e montagem do telhado, com um prazo estimado de 35 dias, foi adjudicada, através de procedimento por motivo de extrema urgência, por 59.452,18 euros, despesa que está enquadrada nas atribuições do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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