Manifestação pretende alertar o Governo e a opinião pública para a grave situação económica do setor e para a falta de condições que as empresas têm para exercerem a atividade.
As empresas de transporte de doentes realizam no próximo dia 26 um protesto em Lisboa com cerca de 100 ambulâncias e outros veículos, numa marcha lenta que atravessará a Ponte 25 de Abril e chegará às ruas da capital.
O protesto foi anunciado esta quinta-feira, em comunicado, pela Liga Portuguesa de Ambulâncias (LPA) que adianta que esta manifestação pretende alertar o Governo e a opinião pública para a grave situação económica do setor e para a falta de condições que as empresas têm para exercerem a atividade.
"Não queremos deixar de transportar doentes. Queremos que o Governo nos dê condições para continuar a fazê-lo", afirma a liga, especificando que a marcha lenta de ambulâncias "atravessa a Ponte 25 de Abril" e percorre Lisboa em protesto "contra a exclusão dos apoios aos combustíveis, os preços impostos pelo Estado e os atrasos nos pagamentos do SNS".
Esta iniciativa "surge após meses de contactos institucionais, pedidos de audiência e sucessivos alertas dirigidos ao Governo e a diversas entidades públicas, sem que, até ao momento, tenham sido encontradas soluções satisfatórias para os problemas estruturais que afetam esta atividade", acrescenta na nota.
Sublinhando que as empresas que "todos os dias asseguram o transporte de milhares de portugueses" para consultas, exames, hemodiálise, quimioterapia, radioterapia, fisioterapia e outros tratamentos "estão a ser confrontadas com custos crescentes, preços administrativamente condicionados e atrasos no pagamento dos serviços prestados ao Serviço Nacional de Saúde".
Segundo a LPA, a publicação do Decreto-Lei n.º 199/2026, de 07 de outubro, que estabelece apoios extraordinários para compensar o aumento do preço dos combustíveis em diversos setores, também não é alheia a este protesto, pelo contrário, porque a medida "veio agravar o sentimento de injustiça entre os empresários do transporte de doentes".
"Enquanto os apoios abrangem atividades como o transporte em táxi e os veículos de transporte de doentes das associações humanitárias de bombeiros, as empresas privadas licenciadas para a mesma atividade continuam sem um enquadramento equivalente", realça a nota.
Uma diferenciação que, para a LPA, "é incompreensível" e "não é aceitável que o Estado reconheça a necessidade de apoiar alguns operadores e deixe outros de fora apenas pela sua natureza jurídica."
A esta situação acresce, de acordo com a nota, o facto de os preços de transporte de doentes estarem sujeitos a valores estabelecidos administrativamente, o que limita a capacidade das empresas para fazerem refletir o aumento dos custos com combustíveis, salários, manutenção, seguros e aquisição de viaturas.
Por último, "muitas empresas enfrentam atrasos significativos nos pagamentos por parte de instituições do SNS, sendo obrigadas a suportar durante meses os custos de serviços já realizados", realça.
A ação de protesto marcada para a próxima segunda-feira prevê que as viaturas se concentrem na Margem Sul, seguindo depois pela A2 e atravessando a Ponte 25 de Abril em direção a Lisboa, onde está previsto um ponto de convergência junto ao Parque Eduardo VII.
O percurso, sujeito à articulação com as autoridades competentes, incluirá passagens por zonas de particular relevância institucional, estando prevista a entrega de um memorando com as reivindicações do setor junto de entidades governamentais e órgãos de soberania, nomeadamente: Ministério da Saúde; Ministério das Infraestruturas e Habitação; Assembleia da República; Residência Oficial do Primeiro-Ministro.
A Liga Portuguesa de Ambulâncias reclama medidas concretas e urgentes para o setor, designadamente, a inclusão imediata das empresas de transporte de doentes nos apoios extraordinários aos combustíveis, em condições de igualdade com os restantes operadores, a revisão dos preços do transporte de doentes, ajustando-os à realidade dos custos operacionais e garantindo a sustentabilidade económica da atividade, e a regularização dos pagamentos em atraso pelas instituições do SNS e cumprimento efetivo dos prazos, bem como exige a abertura de "um diálogo efetivo com o Governo, com compromissos concretos e um calendário de resolução dos problemas identificados".
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