Objetivos deste programa era precisamente um aumento dos rastreios, sublinhando a importância de toda a população fazer estes testes.
O número de testes de rastreio para VIH subiu 26% no ano passado, tendo sido feitos 325.000, o mesmo acontecendo com os rastreios para as hepatites B e C, que no total chegaram quase aos 860.000.
Segundo dados revelados esta segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), realizaram-se nos cuidados primários 300 mil testes para a infeção por VIH, um aumento de 31% relativamente ao ano anterior. As organizações não-governamentais e de base comunitária fizeram 25.000.
Quanto aos testes de rastreio às hepatites B e C, subiram 10% no ano passado, chegando aos 477.500 e 382.000, respetivamente.
Em declarações à Lusa, o responsável pelo Programa Nacional para as Hepatites Virais, Rui Tato Marinho, congratulou-se com este aumento, sublinhando que um dos objetivos deste programa era precisamente um aumento dos rastreios, sublinhando a importância de toda a população fazer estes testes "pelo menos uma vez na vida, mesmo sem sintomas".
"Uma gota de sangue permite identificar pessoas em fases iniciais destas doenças, que são assintomáticas", afirmou o responsável, sublinhando: "As pessoas aceitam bem procurar saber o que têm, pois em testes covid-19 foram feitos 40 milhões".
Tato Marinho diz que o objetivo é tratar cerca de 2.500 pessoas com hepatite C até final deste ano. Os dados oficiais indicam que, desde 2015, já foram tratadas 30.000 pessoas.
Os dados da DGS indicam que, relativamente às hepatites B e C, no ano passado, nos cuidados de saúde primários e nos hospitais foram prescritos e faturados, no total, cerca de 460 mil testes anti-BHs e 360 mil anto-VHC.
Quanto aos testes efetuados através de organizações não-governamentais e organizações de base comunitária, foram realizados mais de 17.500 testes de hepatite B e 22.800 testes de Hepatite C no ano passado, o que representa um aumento de 26% e 44%, respetivamente, face a 2020.
"Estes dados confirmam o esforço de manter a resposta de rastreio e diagnóstico destas infeções, num ano ainda fortemente afetado pela pandemia de covid-19", refere uma nota da DGS.
Em declarações à Lusa, Rui Tato Marinho reconheceu que Portugal tem uma boa logística montada no terreno: "Desde a catástrofe do consumo de drogas, nos anos 80, o país organizou-se muito bem e, neste momento, há muita gente no terreno de apoio às populações mais vulneráveis, onde há uma percentagem grande de pessoas com hepatites, nomeadamente hepatite C".
De qualquer forma, Tato Marinho insiste que é preciso chegar à população em geral, sublinhando: "Não se pode pensar que o risco é só ter consumido drogas ou ter relações sexuais... o risco é estar vivo".
"É transversal a qualquer profissão, a qualquer grupo etário (...). Estamos a lidar com doenças silenciosas e a única forma de diagnosticar é fazer o teste. Uma gota permite identificar três vírus que, neste momento, têm vacina e tratamento com cura a 100%. E o VIH também é supercontrolável", acrescentou.
Disse ainda que a expectativa para este ano é que a Hepatite C "aumente um pouco" e disse estar a tentar melhorar a afinação do circuito de aprovação do medicamento e acesso a medicação, "que estava muito burocrático".
"A ideia é, que o médico passa o medicamento para a Hepatite C, a pessoa poder levar logo para casa nesse dia, evitando ter de ir a uma nova consulta", explicou, acrescentando: "Este é também um dos objetivos prioritários do programa".
Os dados sobre os rastreios ao VIH e às hepatites B e C foram divulgados hoje, quando arranca a Semana Europeia do Teste da Primavera de 2022, com o objetivo de promover a consciencialização sobre o benefício do diagnóstico precoce da infeção por VIH, infeções sexualmente transmissíveis e hepatites virais e a eficácia da adesão ao tratamento.
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