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Correio da Manhã

Sociedade
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Mais de 400 mulheres morreram de cancro nos ovários em 2018

Registados 574 novos casos no ano passado. 412 mulheres morreram da doença.
Francisca Genésio e Beatriz Pinto 5 de Maio de 2019 às 09:44
Especialistas têm alertado para a importância do estudo genético
Raquel Badilla, 49 anos, foi diagnosticada com cancro em 2016
Noémia Afonso
Convívio com os amigos é importante antes, durante e depois do tratamento para o cancro do ovário
Regresso ao trabalho após o cancro é possível, mas só depois de avaliado com o médico especialista
Consultas são aconselhadas pelos clínicos: pelo menos de dois em dois anos, quer seja no médico de família quer no ginecologista
Laparotomia é opção para tratar
Especialistas têm alertado para a importância do estudo genético
Raquel Badilla, 49 anos, foi diagnosticada com cancro em 2016
Noémia Afonso
Convívio com os amigos é importante antes, durante e depois do tratamento para o cancro do ovário
Regresso ao trabalho após o cancro é possível, mas só depois de avaliado com o médico especialista
Consultas são aconselhadas pelos clínicos: pelo menos de dois em dois anos, quer seja no médico de família quer no ginecologista
Laparotomia é opção para tratar
Especialistas têm alertado para a importância do estudo genético
Raquel Badilla, 49 anos, foi diagnosticada com cancro em 2016
Noémia Afonso
Convívio com os amigos é importante antes, durante e depois do tratamento para o cancro do ovário
Regresso ao trabalho após o cancro é possível, mas só depois de avaliado com o médico especialista
Consultas são aconselhadas pelos clínicos: pelo menos de dois em dois anos, quer seja no médico de família quer no ginecologista
Laparotomia é opção para tratar
No ano passado, surgiram 574 novos casos de cancro do ovário em Portugal e morreram 412 mulheres vítimas da doença.

"O cancro do ovário é rotulado como um cancro silencioso porque evolui sem dar grandes sintomas e, quando surge, já está numa fase muito avançada", explica ao CM Noémia Afonso, oncologista no Hospital de Santo António, no Porto.

Por ser um dos cancros ginecológicos mais letais, diversas sociedades científicas têm alertado para a importância do teste genético no que diz respeito à prevenção da doença, já que a predisposição genética é um importante fator de risco para o desenvolvimento do tumor, não só nos ovários, mas também noutros órgãos.

"Estamos a testar, cada vez mais, a predisposição genética para o cancro do ovário nas doentes. Caso seja demonstrada no estudo, quer dizer que pode também haver probabilidade de desenvolverem outros cancros, como o da mama, por exemplo", conclui a especialista, alertando que, ainda assim, há outros fatores de risco para a doença oncológica como "fatores hormonais e ambientais".

Segundo os especialistas, apenas 1,3 por cento das mulheres de todo o Mundo têm probabilidade de vir a desenvolver cancro do ovário ao longo de toda a sua vida.

"Sugeriram-me retirar o ovário"
Raquel Badilla tem 48 anos e, em 2016, foi-lhe diagnosticado um adenocarcinoma da trompa uterina. O primeiro sintoma passou despercebido. Apesar do cansaço que sentia nas pernas quando praticava exercício físico - ciclismo - nunca associou o sinal ao cancro do ovário.

Recorreu ao médico quando surgiu um outro sintoma: corrimento vaginal. "Pedi ao médico para fazer um check-up geral e análises", conta ao CM a médica de clínica geral no Centro de Saúde de Torres Novas. Realizado o diagnóstico - cancro no ovário direito - foi reencaminhada para uma consulta de cirurgia.

"Sugeriram-me ser operada e retirar na totalidade o ovário direito", recorda Raquel Badilla. Foi operada para retirar o tumor e, atualmente, está curada e deixa um conselho às mulheres: "Recorram ao médico de família para fazer exames pelo menos de 2 em 2 anos, no contexto de planeamento familiar."

Conselho da semana
Cada vez mais os estilos de vida são associados às causas do cancro. O consumo de tabaco, a exposição à radiação ultravioleta, à radiação ionizada, assim como a dieta ocidental são fatores de risco. Opte por um estilo de vida saudável, com exercício físico e uma dieta equilibrada.

DISCURSO DIRETO
Noémia Afonso, médica no Hosp. de Stº António, Porto
"Fazer exames de rotina"
CM - Quais são os sintomas mais comuns do cancro do ovário?
Noémia Afonso – São raros, mas geralmente passam por alterações no ciclo menstrual, dor pélvica e alterações urinárias.
– Que cuidados devem ser adotados?
– A prevenção é o mais importante. Devemos estar atentos aos sintomas e fazer exames de rotina no médico de família ou no ginecologista.
– A que se deve a elevada mortalidade da doença?
– Este é um cancro sem método de rastreio estabelecido e o diagnóstico é maioritariamente tardio porque as mulheres desvalorizam os pequenos sinais e alterações no corpo. Só quando a situação agrava é que recorrem ao médico.

Regressar ao trabalho mas com vigilância médica
Ultrapassado o cancro do ovário, as pacientes ‘podem e devem’ retomar as rotinas diárias, incluindo regressar ao trabalho. "Quando o cancro está ausente, estas mulheres são como todas as outras", refere Noémia Afonso, oncologista.

É importante que as pacientes optem por um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e prática de exercício físico e que tenham uma vigilância médica, com consultas regulares. Ainda assim, nada garante que o tumor não volte a aparecer.

"No fundo, até podemos ter uma vida saudável e isso diminui o risco de cancro do ovário, assim como de outros, mas não há nada em concreto que possamos fazer para dizer que se fizer isto ou aquilo nunca mais vai ter tumores. É sempre uma situação que pode ocorrer, apesar de todos os cuidados que possamos ter", explica a oncologista.

Mulheres que já tenham passado por doença oncológica e que estejam em fase de menopausa devem evitar realizar a terapêutica hormonal de substituição - um tratamento usado para o alívio dos sintomas.

Tratamento é discutido com doente
O tratamento do cancro do ovário passa, na maioria dos casos, pela cirurgia - laparotomia - e pela quimioterapia. A radioterapia raramente é utilizada. O tratamento é discutido entre o médico e a paciente. Normalmente, o especialista descreve as possíveis opções de tratamento, assim como resultados esperados. A terapêutica aconselhada varia consoante a doente e cancro.

CONSELHOS PARA O CORAÇÃO
Alta não significa problema resolvido. Cerca de 25% dos doentes são readmitidos

Este ano dedicámos à Insuficiência Cardíaca. Não é uma doença. É um conjunto de sinais e de sintomas (uma síndrome) que reflete a perda de capacidade do coração em mandar para todas as partes do corpo sangue rico em oxigénio e nutrientes.

O cansaço fácil para realizar atividades e tarefas do dia a dia que se faziam sem dificuldade, o inchaço dos tornozelos e a falta de forças são os primeiros sintomas da Insuficiência Cardíaca.

Não valorizamos estas queixas. Muitos atribuem à idade. É próprio da idade, dirão muitos, mas por ela se instalar tão sorrateiramente e ser muito frequente nas idades mais avançadas não valorizamos as queixas. O que é certo é que a principal causa de internamento não programado.

A alta hospitalar não significa que o problema ficou resolvido. Cerca de 25% dos doentes com alta hospitalar são readmitidos no primeiro mês com os mesmos sintomas. A qualidade de vida é má. A esperança de vida é reduzida.

PRIMEIROS SOCORROS
Esteja atento à temperatura corporal na criança. Um aumento é um sinal de alerta. Aprenda a reconhecer os sinais e consulte um médico ou telefone para o 112

Atenção à temperatura
Oaumento da temperatura corporal nas crianças é um sinal de alerta, não de alarme, de que muito provavelmente se está a iniciar uma infeção, quase sempre sem consequências. Considera-se que uma criança está febril se apresenta uma temperatura axilar superior a 37,5 graus ou uma temperatura retal superior a 38 graus.

Nas crianças abaixo dos 2 anos deve ser avaliada preferencialmente a temperatura retal. Deve administrar-se o antipirético recomendado pelo médico e na dose indicada; manter a criança com roupa fresca e num ambiente não muito aquecido; dar a ingerir líquidos com frequência.

Se apesar destas medidas a febre se mantiver alta dar um banho à criança com água tépida.

Respiração é sinal
Consulte um médico se a criança for um lactente com menos de 3 meses; se a febre for de 40o C e se persistir para além de três dias. Deve também consultar um clínico se a criança tiver uma convulsão, apresentar manchas na pele, uma respiração acelerada, difícil ou ruidosa, ou uma respiração pouco usual mesmo quando a febre baixa.

Caso apresente tosse e expetoração esverdeada ou acastanhada e se tiver vómitos repetidos deve também consultar um médico. Ligue para o 112 se a criança tiver tosse rouca e respiração ruidosa ou respiração asmática; estiver invulgarmente quente, fria ou prostrada; chorar de uma maneira ou por um período pouco usuais, com irritabilidade persistente, ou emitir gemido.
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