Colégios temem não conseguir abrir no próximo ano letivo se não tiverem financiamento adequado.
Mais de meia centena em protesto para exigir verbas para colégios de ensino especial
Mais de meia centena de professores, pais e alunos concentraram-se esta quarta-feira de manhã em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), em Lisboa, para exigir uma atualização das verbas recebidas pelos colégios de ensino especial.
"Educação especial é direito, não é caridade", "sem apoio não há inclusão, queremos respeito e educação" e "apoio financeiro hoje é autonomia e inclusão amanhã" são algumas das frases que os manifestantes exibiram num protesto ao ritmo de apitos e buzinas.
Os colégios - que recebem crianças e adolescentes encaminhados pelo Estado por não terem a resposta que necessitam na escola pública, no ensino regular - temem não conseguir abrir no próximo ano letivo se não tiverem financiamento adequado.
"Não iremos dizer se iremos fechar ou não em setembro - isso vai depender da realidade de cada instituição - mas claramente é insustentável manter o funcionamento com os valores atuais", disse à Lusa a diretora do Colégio Eduardo Claparède, em representação dos cinco colégios de educação especial que promoveram a concentração, todos localizados na região de Lisboa.
"Estamos a falar de valores que não podem ser inferiores a cerca de mil euros por mês por aluno", estimou Isabel Beirão, lembrando que a intervenção nestes colégios é distinta das do ensino regular e obriga a "turmas muito reduzidas" com "muitos recursos humanos presentes".
Em janeiro, foi acordada com o Governo uma atualização intercalar de 10%, mas desde então que não existe qualquer resposta sobre como será a partir de setembro, corroborou Henrique Borges, da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular (AEEP), que apoiou o protesto.
Em causa estão 487 crianças - "um pequeno número", com "um impacto orçamental residual no próprio orçamento" do MECI, precisou Henrique Borges.
"Nós sabemos que existem muitas respostas na escola pública, de excelente qualidade, mas existe um nicho de crianças que não consegue ter essa resposta, desde logo pelo espaço físico, pela necessidade que tem de intervenção de outro tipo de terapeutas", acrescentou.
O filho de Alcilai, esta quarta-feira presente no protesto, tinha seis anos quando foi matriculado na escola pública e, devido às Necessidades Educativas Especiais (NEE) que tem, só frequentava o estabelecimento "três vezes por semana", "duas ou três horas por dia" e "não conseguia ficar sozinho com a professora na sala".
Aos sete, o rapaz, hoje com 11 anos, foi encaminhado para um colégio de ensino especial e tudo mudou, contou a assistente administrativa, de 33 anos.
"Não tem nada a ver com cinco anos atrás. Eu não era capaz de fazer a minha vida diariamente, não era capaz de levar o meu filho para um supermercado, não era capaz de levá-lo para uma consulta sem ser de Uber. Mas hoje, com este trabalho todo que a equipa fez com ele, somos capazes de frequentar supermercados, conseguimos fazer vida normal", salientou.
Alcilai teme, por isso, um retrocesso caso o externato, cujo ano letivo termina em 31 de julho, não reabra em setembro.
"O ensino especial não é um luxo, é um direito. Todas essas crianças têm um direito. Não é porque nasceram com essas limitações que devem ficar excluídos", concluiu.
Na concentração, marcaram ainda presença, em solidariedade, representantes do ensino artístico especializado.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.